Quer participar de nossa conversa?



Giovana, minha filha, viajou em busca de seu sonho. Europa e Polônia fazem parte do itinerário. Daqui, lhe escrevo cartas. De lá, em seu blog, relata a cada dia, tudo o que vem acumulando em lembranças.

Este espaço é aberto a todos que entram aqui para compartilharem este gostoso sentimento da SAUDADE! Que, por alguma razão, têm uma afinidade em lerem "Cartas para quem se ama". De verem em linhas, sentimentos que lhes são tão familiares. E, a mim, será um enorme privilégio poder ler suas impressões e comentários.

Para isso, clique em "comentários" e digite suas palavras na janela que se abre. Se você tiver um pefil já definido (Google, WordPress, Nome/URL, etc) é só selecionar, senão, pode selecionar a opção "anônimo", aí é só "publicar"! Se quiser, identifique-se com seu nome e e-mail, ao final, pois assim, poderei fazer contato!



Bem vindo a bordo no Diário de Porto!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

MEU PRESENTE? FÁCIL... MAS MONTE O SEU!

Pois é! Caminhamos pra frente, miramos longe no horizonte, vislumbramos o NOVO... Isto é típico nosso! Mas paramos, olhamos a volta, atrás e... Aprendemos com o que passamos e fica pra trás...
DESAPEGO! Isto explica um pouco quem colhe pelo caminho e não tem receio de seguir, colhendo o NOVO! Você tem a certeza de que o que colheu irá sempre com você! Por isso, não tem medo de seguir, ainda que carregue consigo a SAUDADE... Não querer permanecer não é sinônimo de não ter amado quem cruzou pelo teu caminho. É apenas mostra de que teu coração é imenso e cabe muito mais aí...
CURIOSIDADE! É tua marca. É o que te faz ter olhos vivos. Que movem-se e acompanham cada movimento a sua volta. Que faz captar perspicazmente (lembra do Glenio te descrevendo assim? Perspicaz!) e aprender e apreender... Não é só teu coração que coleciona novidades. Tua mente também!
GENEROSIDADE! Quem que te conhece que não te identifica assim? Aquela que carrega as sacolas e pacotes do mercado e não deixa a gente carregar. Aquela que se doa ao outro, esquecendo de si própria, em pequenas e bobas coisas. E também em grandes coisas como tempo dedicado a ouvir, quando seu próprio tempo é tão espremido para caber tanta coisa que pega pra fazer... Que economiza suas baladas, seu mercado, pra ter din-din pra uma viagem desta. Só pra não me dar despesa que não posso ter. Ahhhh, fillha! Você é a pessoa mais generosa que conheço, veia de tua vovó, que saia atrás de mim correndo me dando coisas que tirava de sua própria casa, tipo, blusinhas que achava melhor em mim, comida, verdura, porque doar pra ela não era nada...
DETERMINAÇÃO! Dificuldades? Sim... Existem. Mas não são impedimentos! É assim que te vejo! Você sempre sonhou “ir pra fora”. Ultrapassar a barreira do país. Conhecer outros mundos... Sempre foi difícil e não foi fácil acreditar que conseguiria. Mas você SONHOU, DETERMINOU A META, PLANEJOU, PRIVOU-SE DE MUITAS COISAS E COLHEU O SONHO! Quantos sonham e ficam só sonhando? Obter o que se sonha é fruto de determinação, dedicação, sacrifício, e perseverança! Lembra a nós, corredores, o concluir uma maratona? Siiiiiiiiiiiiim! Você é uma vencedora! Já te falei isso! Tua maratona extrapola os 42km. Teu alcance vai além! Sem fronteiras. Pois quem faz ao outro, não fica preso aos muros. Sempre vai além. Por isso, desde você pequenininha, quando já sonhava viajar, ir pra Austrália, sempre soube que o horizonte definiria aonde chegaria. E teus olhos miram longe...
FÉ! Nós sabemos bem o que vivemos, o que passamos nos tempos de muita fé, na falta de fé, de questionamentos meus em torno disso. Regras religiosas, imposições, preconceitos e saber do Amor Ágape de Deus. O ter certeza sem nada ver. Você se manteve íntegra, sincera, firme na certeza de Deus te cuidando e te amando. Louvável e, diria, invejável! Pois acima de qualquer coisa, nunca perdeu a certeza de que há, sim, um Deus que nos ama, cuida e vê lá na frente por nós! Isto faz toda a diferença! Isto te faz ser tudo aí que descrevo aí em cima... O amor de Deus nos nutre, alimenta, resgata e define nosso caminho.

Gi! Ia escrever sobre minha caixinha de presente. Vai ficar pra outra. Que tal você e a Lelê fazerem a de vocês? Uma caixinha miudinha que contenha a essência de vocês? Pra nunca, nunca esquecerem quem são? Algo pra se guardar debaixo da cama, no criado, na memória sobre o que as moveu a irem, a acreditarem ser possível o sonho, pra pegar toda hora que precisarem se achar, nas crises, nos momentos difíceis quando a gente tem vontade de desistir? Pensem nisso... E vão bolando a minha caixinha também!

Muito inspirada, hoje...

Um retorno... Porque pra escrever tem que brotar do coração...

Muitos dias fora do ar... A vida é feita de CICLOS! Assim como andei escrevendo no meu velho e outro blog CLICS (www.clicandoeconversando.blogspot.com), vivemos em ciclos! E da última postagem pra cá, mergulhei num tempo de parada, imobilidade, uma quase apatia e seria mentira eu negar, fingir e socar letras pra preencher este vazio que existiu. Vazios existem pra dar sentido ao que preenche depois! Certos vazios não serão preenchidos jamais, quando aquilo que o preencheria foi perdido no tempo. E sensato é, pra não ter eternamente o sentimento de frustração, deixá-lo vazio. E encontrar dentro de si mesmo, outros espaços a serem preenchidos por outros. Cada qual com seu valor. E manter o espaço e cada um.

Este tempo de parada, se não estou enganada deve ter uns catorze dias... Quando eu perdia um ou outro dia, retomava completando estes espaços – vácuos! Reescrevia os dias, relembrando o que havia se passado em cada um deles e relatava cada coisa em cada dia. O que acontece agora é que não dá pra relatar vazios! E me reservo o direito de deixar a lacuna. Foram dias sem inspiração. Inspiração? Como dizer que fiquei sem inspiração pra escrever pra minha própria filha que está lá na Polônia, longe, carente de carinhos, palavras e atenção? Bem, explico!

Se há pessoas que nos compreendem, sem nem mesmo termos de nos explicar, estas pessoas são as que nos amam (e que, invariavelmente, são as que nós amamos!). Gi, você é uma delas! Eu apenas não escrevi no blog. Nas minhas cartas a quem eu amo. Mas estive conversando com você por outros meios. Pois o espaço do blog é um espaço publico das nossas palavras. E seria ingênuo pensar que nos falamos apenas aqui. Mesmo porque nem tudo o que falamos é publico. Não nos vendemos a ser vitrine em tudo. Prezamos pela nossa privacidade, ainda. Publicamos o que consideramos ser olhável aos outros. Preservamos nossas conversas só nossas!

Meus vazios são a mostra clara de ser falha, sentir tristeza, duvida, insegurança, preguiça, falta de assunto, falta de motivação, falta de vontade. Ainda que o motivo de eu escrever no blog, neste blog, seja uma das coisas mais importantes da minha vida. Hoje, você, Gi, que está fora do país. Com certeza, daqui um tempo será o Gabri! Porque criei filhos para terem asas. Voarem alto e longe! E tenho certeza que da vontade que ele sempre teve de ir “pra fora do país”, como ele mesmo dizia quando era criança, nascerá a motivação para de fato ir. A questão não é por quem faço. Escrever não é algo custoso, obrigatório ou regrado. Escrever para mim é algo que FLUI. Naturalmente. E já foi o tempo de eu tentar me forçar a ser infalível. Não sou perfeita, não sou o tempo todo feliz, o tempo todo inspirada , o tempo todo de boa, o tempo todo forte, o tempo todo, toda certa! Erro! Falho! Falto! Sumo e também tenho vontade de sumir. E sumi! Seria muita falsidade de minha parte fingir... Fingir é algo que agride brutalmente minha essência. Não sei lidar com isso! Isto agride, corrói, mata quem eu sou. E isto tem me feito refletir muito por onde ando, o que faço, o que sou...

Se eu fosse presa a regras, eu me sentaria a uns dias atrás pra completar as lacunas deste blog. Tentaria fazer um esforço tremendo pra lembrar algo de importante de cada dia não escrito para relatar dia-por-dia o buraco que ficou. Grande coisa seria! Um blog que “honrou” bravamente seu “propósito” de postar diariamente... Mas que esconde debaixo de tanta eficiência, a falta de sinceridade. Cumpriu o proposto. A obrigação. Ainda que para isso, passasse por cima da sua própria cabeça e coração... Não! Definitivamente, não! Não fui feita pra isso! Não consegui escrever nestes dias, não por falta de conexão. De fato, trabalhei muito nestes dias e o cansaço veio. Mas ainda assim, eu dedilhei numa das madrugadas e escrevi. Cansaço nunca foi motivo de eu não escrever. A ausência de vontade no coração, sim...

Seria covardia de minha parte eu atribuir para fora de mim esta inércia que tomou conta de mim. Engolimos o que permitimos passar goela abaixo. Tudo o que nos alimenta, é opção nossa. Somente nossa. E se passamos um tempo “sem identidade” é porque seguimos por um caminho que não é o nosso. Deixei um vazio, sim! Mas retomo hoje! Porque, nada melhor do que falar com a própria interlocutora deste blog, a minha preciosidade, a minha filha Giovana, para tomar uma baita injeção de ânimo e me reencontrar. Coisas de gente que se ama de verdade. Particularidade de gente que tem sintonia, telepatia (como a gente mesmo se identifica, tal qual é a nossa ligação!). Bati um papão com você, via internet, e me achei. Dei muita risada, brinquei um monte, descrevi meu presente de viagem (isto rende um postagem só pra isso!) e recuperei a vontade de dedilhar... Então, tá aqui! De novo! Again! Nada de tão maravilhoso ao outro que não lê nas entrelinhas, não compreende a voz do coração. Que não pega no ar a essência... Mas para as pessoas que têm dentro de si a capacidade de compreender que o essencial é invisível aos olhos, que sabem que o que alimenta o dia-a-dia não são coisas feitas e visíveis, mas aquelas que fazem os olhos brilhar, os lábios sorrirem, e a alma pular, compreenderão... Voltei! Porque manter o fiozinho com quem se ama é algo que se faz espontaneamente. Flui. Mantém-se, naturalmente. Ainda que haja buracos ou abismos no caminho.
Giovana, obrigada por ser esta filha tão preciosa, esta pessoa maravilhosa que você é, este coração amoroso e generoso que me dedilha palavras que me fazem não deixar de ser quem sou. Cheia de defeitinhos, mas com qualidades também. Como você mesma falou. E se vire no meu presentinho... Sei que vai dar conta do recado!
Te amo! Só e tudo! Sempre e pra sempre!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

8 de fevereiro

Quinquagésimo terceiro dia - 8 de fevereiro.

Querida! Sem tempo de blogar decentemente! Tem sido em torno de 17, 15 horas por dia de trabalho. Entrando às 6h, saindo entre 10 e 11 da noite, ate mais de meia noite... Qd chego em casa, banho e cama! Mas compenso no sábado pela skype. Muito sono... Vou dormir..

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O tempo

Quinquagésimo segundo dia - 7 de fevereiro.

O tempo encerra
O tempo inicia
O tempo faz esquecer
O tempo faz relembrar
Cutuca feridas
Cura vidas
Faz pausar
Faz prosseguir
O tempo engana
O tempo revela
O tempo cansa
O tempo faz descansar
Aprisiona
Liberta
Sustenta
Desespera
Com tempo se ganha
No tempo se perde
Sem tempo se esquece
Fora do tempo se permanece...

Ha coisas que se encaixam no tempo
Outras dele extrapolam, o negam, o superam

Hoje meu tempo teve uma medida: quase 17 horas de trabalho. Amanhã quem sabe o que abrigará?

Sem tempo para o invisível hoje. Do cel, devaneios bobos para você... Daqui 4 horas retornar ao trabalho.

Te amo, cansada, te amo!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tua boa companhia... A conversa que eu queria!

Quinquagesimo primeiro dia - 6 de janeiro.

O que mais gostei ontem foi falar com você... Ter filhos é um presente de Deus. Ter uma filha-amiga-sabia como você e um filho-amigo-cabeça como o Gabri é um privilégio, uma honra, uma preciosidade indescritível! Vejo o quanto vocês amadureceram. O quanto seguem seus caminhos, o quanto são capazes de opinarem, enxergarem, decidirem sobre o que veem, passam, presenciam, vivenciam...

Creio que algumas coisas vão entalando passagens e o curso natural das coisas. Chega uma hora que é preciso desobstruir. Abrir portas, a janela, a gaiola é um primeiro passo. Muitas vezes achamos que a chave está com alguém e não percebemos que ela está bem próxima a nós. As vezes, dentro da mão cerrada que se comprime junto do coração que se fecha para não sofrer. De qualquer forma, sempre é tempo de se acordar.

Hoje foram quase 15 horas ininterruptas de trabalho. Pensar que passei 1 ano trabalhando 14 horas por dia. Vivia que hora? Talvez, enquanto sonhava... Nada tão diferente de agora...

Obrigada pela boa conversa e companhia de ontem! Te amo!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Quinquagésimo dia – 5 de janeiro

Virou a dezena de novo! São mais três semanas???

Refresca a saudade de você. Mas sei que por aí, vai ficando o ar de estar acabando um tempo bom que você não queria que acabasse. Não tem como medir o tamanho do tudo o que aprendeu! Vi vocês, ontem na tela, você e a Lelê! Se houvesse um detector de felicidade, capaz de medir em vocês o quanto inflaram de experiências, a tal bagagem invisível que eu falo tanto, se fosse tal qual o detector de metais do aeroporto, ele apitaria muito, um logo e ruidoso apito! Que bom que Deus manda Anjos para cuidarem da gente. Que bom que ele nos usa também como anjos e aos nossos amigos para cuidarem da gente, também. Somos seres sociais. Precisamos de convívio. Somos seres emotivos. Precisamos de emoção pra nos sentirmos vivos! Senão, vegetamos! Se eu tiver de depender de ser apenas razão, morro! Uso a razão para trabalhar, pra decidir com eficiência muitas coisas em minha vida. Fazer contas, “planejar gastos”. Mas optar por gastos que me mantêm viva, só o coração é capaz de fazê-lo. Se eu não tiver sensibilidade, um pouco de instinto, intuição, não consigo enxergar soluções para os problemas que me deparo no me dia a dia. É ter sangue nas veias correndo, pulso no coração que me mantêm viva. Se for de outra forma, não sou eu! Se eu parar de brigar, de falar, de escrever, de me alterar quando vejo algo injusto, ou que eu não concorde, não sou eu. São defeitos também. Sou “ruim”. Sou briguenta. Orgulhosa. Mas se a medida da intensidade de como demonstro meus sentimentos for amena, branda, creio, é porque perdi a identidade. Vou precisar de socorro para que me achem de volta. Me tragam e me cutuquem a memória. Não acredito que dê pra eu ser diferente. Não é que eu ache que desta forma seja a mais correta. Não é que goste de ser sempre assim. Sou agressiva, com isso. Compro causas. Visto a camisa. Me empolgo e se acredito em algo, meu entusiasmo é capaz de convencer pessoas. Mas se eu estiver sem os olhos brilhando, preciso de ajuda. Preciso tomar vento na cara. Sair correndo à noite, nem que seja só por um pouquinho! Pegar estrada de carro, janelas escancaradas, música de viagem. E se não for possível de carro, que seja de bike, de busão, a pé. Preciso de ar. Preciso me reencontrar. Preciso que quem me ame, tenha paciência comigo, cuide de mim, me aceite como sou, não se incomode tanto em eu ser assim, cheia de chatices e defeitos. Quando você voltar, quero pegar estrada com você. Topa? Nem que seja meio sem rumo, parando em hotelecos despretensiosos, mata, cachoeira, trilha, poeira. Nem que seja só por um pouquinho, nos seus intervalinhos de tantas reuniões. Não deixa eu perder minha identidade, ta?
Eu te amo e quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Decidir é querer ir!

Quadragésimo nono dia – 4 de janeiro

Sábado, recompondo sono...
Estranho, né? Antes eu me reabastecia de energia, gastando-a! Saía pra correr e, numa contradição incompreensível, ao invés de esgotar minha energia, eu a recuperava. Voltava com os olhos tinindo, brilhando, estalados de feliz... Preciso me reencontrar!

Tive de ir ao dentista logo cedo! Quebrei um dente ao sei como há uma semana e marquei para o sábado a restauração. Às nove estava lá. Às nove da noite a restauração já havia caído... Droga!

Eu me sentia esgotada. Cansada, Absorvida. Sugada, eu diria... Tinha de deitar e apagar...Releitura: fuga? Pode ser...

O sono me pegou de jeito. O corpo não acordaria se não fosse uma ligação no celular de minha irmã. Conversei com ela. Como é bom ter uma irmã com quem conversar! Isto não tem preço... Às vezes sou eu que necessito falar, às vezes, é ela. Ela acabou me dizendo que os noticiários mostram que na Europa tem nevado muito, feito muito frio e que tem morrido pessoas. Foram duzentas na Europa e cerca de vinte na Polônia. Fiquei preocupada! Você com sua mania econômica de não querer gastar, não tem botas quentes pra andar por aí. E eu sei que tem saído toda semana pra lugares mais distantes para trabalhar. Acabei de falar com ela e fui ligar o note. Coisa que tenho fugido. Bem, consegui, de cara te achar “on”. Que bom! Matei a preocupação e a saudade...

Fico feliz da vida te vendo ali, ao Vico na tela. Eita tecnologia boa! Tipo
“The Jetsons”... Desenho animado do meu tempo que mostrava as tele-ligações da época futura. Chegamos a ela! Falamos e nos vemos do outro lado do planeta, ou quase lá. Será que isto encurta distâncias? Será que isto resolveria problemas de amores a distância de antigamente? Porque no tempo das cartas, elas demoravam um mês pra chegar, quando pouco, uma semana, pra vir, mais uma semana pra ir e aí iam... “Tele-chamadas” devem ter lá sua colaboração na alimentação de relacionamentos à distância. Filhos longe dos pais, casai que se separam a serviço, namoros de verão pra subirem a serra... Será que serviriam pra reatar aquilo que o tempo e a distância separaram, um dia?
É, entrariam naquela parte que dizemos sobre Dedicar-se e Demonstrar o amor. Mas não acontecem sem o “D” da Decisão. Sem decisão, nada acontece! Decidir é querer ir!

3 de fevereiro

Quadragésimo oitavo dia - 3 de fevereiro

Sexta-feira. Dia de começar mais cedo o dia. Marcamos para as 6 da manhã para estarmos no serviço, para sairmos para o tal local. No total, foram mais de 12 horas seguidas de trabalho... De manhã e no almoço, fomos para o bairro e a tarde tive de acompanhar de novo no ônibus as crianças. Não deu certo! Escrever e ler, dentro de um ônibus em movimento, conferindo nomes, imagine o que deu... Enjôo... Recorri ao boldo numa das escolas, chá, mascar as folhas no trajeto todo do ônibus. Por fim, um comprimido pra passar o mal estar. Não sou nada a favor de me afundar no serviço. Sou bem ciente da necessidade de termos como fonte de realização e prazer noutras coisas. Mas, de certa forma, empenhar-me no trabalho tem me ajudado a fazer bem, alguma coisa que inicio, realizo e concluo, dentro de prazos certos. Nos meus papéis particulares, ainda há pendências a serem organizadas. Poucas, agora, mas ainda me esperam. Às vezes, tenho vontade de não ter nada, nada a organizar, planejar e cuidar. Mas é só um vento bobo que me passa. Sei que a vida assim seria fútil e sem rumo. É apenas cansaço! Não de agora. Acabei de voltar das férias. Cansaço acumulado de uma vida. Um tempo que me reservo de ter o direito de ter pra estar cansada de tantas coisas que levo. Pescoço duro. Papéis e m ais papeis... A falta que bombinhas nos fez. A mim e ao Gabri. Como fez falta! Foi novo e bom estar aqui, conhecer novas pessoas e re-conhecer a própria cidade. Não retiro nada do que escrevi todos estes dias! Não retiraria nada do que ganhei! Mas parece que aquele ventinho daquele lugar, que passa sem parar lá na beirinha daquele mar, quando a gente se senta de cara pras pedras, pra água, carrega tudo e tudo pra longe... Como um banho de alma... Leva embora o que nos é pesado... No revigora. E nos carrega a bateria pra tocarmos mais um ano... Aí, dependo dos papéis em ordem. Pois, quando finalmente estiver com “tudo sob controle” juro, boto uma mochila nas costas, de busão, de carro, seja do que fora, e vou lá passar um final de semana que seja! Seja no frio, no calor, como for! Se você e o Gabri toparem, vamos juntos! Não chego a me arrepender de ter vindo pra cá. Assumido mais gastos. Mas aquela conversa tua comigo, sobre viver com menos, mas com folga pra ir pra onde se que se quer tem vindo à minha mente ultimamente... Finquei raízes caras aqui! Que me prendem e me impossibilitam de sair andeira,como sou, por aí. E tenho medo disto! Raízes dão suporte, sim, eu sei! Mas não quero teias de aranha em torno de mim. Quero estar viva. Respirando o ar que me sustenta. Sol batendo em mim. Vento, vento... e o olhar perdido longe... sem limite, horizonte a frente, desimpedindo caminhos...

2 de fevereiro

Quadragésimo sétimo dia - 2 de fevereiro

Quinta-feira, o trabalho me consome...
Não deixa de ser ruim. Coisas a se resolverem no trabalho. Fui conhecer o tal local onde foram entregues duzentas casa a pessoas que oravam em fundos de vale e não tinham condições de moradia. São casas “meia-água” (divididas ao meio), com aquecimento solar sobre o telhado! Alguns apartamentos. É uma cidade a parte! Uma das crianças que acompanhei no ônibus, me falou que sua mão disse que o nome certo de lá é “Cidade de Deus”. Diferente da alusão que o nome pode parecer ter, é uma comparação à cidade que deu origem ao filme. Todas casinhas novinhas. Enfim, tempo de contraste. Como falei no dia de ontem, eu estava em ritmo de trabalho em meio turno. Agora, metade de meu dia localiza-se no meu trabalho...

Estas coisas me fazem ver, o quanto é preciso ter realização no que se faz trabalhando... É estressante, às vezes. Cansativo, mas tem que dar alguma realização. São muitas horas do meu dia lá! A minha válvula de escape até o início do ano passado era a corrida, a academia, suar, suar, suar... Botar pra fora o veneno nosso de cada dia. Ando meio perdida, sem ter onde despejar meu próprio veneno... Escrever, me ajuda. Mas são coisa bem particulares, as de ontem hoje e nestes dias em que escrevo sem ter nada de tão bom pra falar... São cartas pra você, apenas. Retrato de mim. Conversa entre nós duas. E sei que seria inútil eu tentar me colocar leve, colorida no papel (leia-se na tela), pois você me pega, certinho, como sou.De você, não me escondo. Você sabe bem de mim...

Foi mais um dia, apenas! E mesmo que a gente não ande lá muito com as próprias pernas, em direção a algo que intencionamos, o próprio vento se encarrega de soprar a vela, quando estamos incapacitados a ligar o motor, segurar o leme e impor a rota. Quem sabe, eu parando um pouco de adivinhar o destino, forçando caminhos, a nossa “Bússola” me leve aonde, de fato, eu tenha de chegar?

Acabei de falar com a Lele... Ela acabou de te levar à estação... Saudade sem tamanho de você...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro

Quadragésimo sexto dia - 1 de fevereiro

Escrevendo em bloco, não era o meu propósito, mas apenas para relatar dia-a-dia os últimos dias passados...

Dia 1 de fevereiro, quarta-feira, retornei ao trabalho. Oficialmente, pois eu já havia voltado pra uns servicinhos urgentes e inadiáveis. Pela primeira vez, depois de vinte e três anos de jornada dupla, tive parte do dia livre, desde setembro. A tal licença prêmio que é um dos privilégios de ser concursado. Ter direito a três meses de licença, a cada qüinqüênio, coisa que eu nunca havia desfrutado. Então, com tanta coisa a resolver numa jornada de dez horas diárias, decidi que era o melhor a fazer. E de setembro a dezembro, trabalhei só 6 horas por dia! Que privilégio... Agora, de volta ao mundo real...

Bem, devo ter ficado em torno de 10 horas e meia, direto lá, praticamente sem sair da cadeira. Um contraste para quem corria cerca de 50 a 70 km por semana. Isto tem me incomodado. Está difícil lidar com isso. O volume de serviço intenso, O bom é que ocupa a cabeça. Quando ela anda rodando por aí...

Sabe, querida, mal posso te falar alguma coisa sobre sobrecarregar-se. Não sei nem se sobreviveríamos sem isso. Mas estou numa fase transitória, refletindo sobre muita coisa. Ainda chego a algum lugar. E, espero, poder te falar de lá, se valeu a pena. Hoje, relato curto. Coisa que não curto: escrever para completar as lacunas de algo proposto e não cumprido. Dia por dia uma carta por dia. Mas como sei que me conhece bem, me lê nas entrelinhas, deixe lá tua mãe escrever por uma questão de tentar não perder a linha, a caneta, a tecla, a essência, o gosto, o prazer de escrever. Quem sabe, dedilhando, me reencontro e vou bebendo da seiva, de novo, daquilo que é das poucas coisas que me dá prazer e não dependo de outros e sim, apenas da minha capacidade de não perder a sensibilidade de ver a vida com meus olhos do coração, por mais que seja banal aos outros, escrever tanto e tanto, se tão pouca gente vai ler... Não me deixa perder a vontade de escrever? Me ajuda? Eu te amo, você e o Gabri, mais do que tudo na minha vida!