Quer participar de nossa conversa?



Giovana, minha filha, viajou em busca de seu sonho. Europa e Polônia fazem parte do itinerário. Daqui, lhe escrevo cartas. De lá, em seu blog, relata a cada dia, tudo o que vem acumulando em lembranças.

Este espaço é aberto a todos que entram aqui para compartilharem este gostoso sentimento da SAUDADE! Que, por alguma razão, têm uma afinidade em lerem "Cartas para quem se ama". De verem em linhas, sentimentos que lhes são tão familiares. E, a mim, será um enorme privilégio poder ler suas impressões e comentários.

Para isso, clique em "comentários" e digite suas palavras na janela que se abre. Se você tiver um pefil já definido (Google, WordPress, Nome/URL, etc) é só selecionar, senão, pode selecionar a opção "anônimo", aí é só "publicar"! Se quiser, identifique-se com seu nome e e-mail, ao final, pois assim, poderei fazer contato!



Bem vindo a bordo no Diário de Porto!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O tempo

Quinquagésimo segundo dia - 7 de fevereiro.

O tempo encerra
O tempo inicia
O tempo faz esquecer
O tempo faz relembrar
Cutuca feridas
Cura vidas
Faz pausar
Faz prosseguir
O tempo engana
O tempo revela
O tempo cansa
O tempo faz descansar
Aprisiona
Liberta
Sustenta
Desespera
Com tempo se ganha
No tempo se perde
Sem tempo se esquece
Fora do tempo se permanece...

Ha coisas que se encaixam no tempo
Outras dele extrapolam, o negam, o superam

Hoje meu tempo teve uma medida: quase 17 horas de trabalho. Amanhã quem sabe o que abrigará?

Sem tempo para o invisível hoje. Do cel, devaneios bobos para você... Daqui 4 horas retornar ao trabalho.

Te amo, cansada, te amo!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tua boa companhia... A conversa que eu queria!

Quinquagesimo primeiro dia - 6 de janeiro.

O que mais gostei ontem foi falar com você... Ter filhos é um presente de Deus. Ter uma filha-amiga-sabia como você e um filho-amigo-cabeça como o Gabri é um privilégio, uma honra, uma preciosidade indescritível! Vejo o quanto vocês amadureceram. O quanto seguem seus caminhos, o quanto são capazes de opinarem, enxergarem, decidirem sobre o que veem, passam, presenciam, vivenciam...

Creio que algumas coisas vão entalando passagens e o curso natural das coisas. Chega uma hora que é preciso desobstruir. Abrir portas, a janela, a gaiola é um primeiro passo. Muitas vezes achamos que a chave está com alguém e não percebemos que ela está bem próxima a nós. As vezes, dentro da mão cerrada que se comprime junto do coração que se fecha para não sofrer. De qualquer forma, sempre é tempo de se acordar.

Hoje foram quase 15 horas ininterruptas de trabalho. Pensar que passei 1 ano trabalhando 14 horas por dia. Vivia que hora? Talvez, enquanto sonhava... Nada tão diferente de agora...

Obrigada pela boa conversa e companhia de ontem! Te amo!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Quinquagésimo dia – 5 de janeiro

Virou a dezena de novo! São mais três semanas???

Refresca a saudade de você. Mas sei que por aí, vai ficando o ar de estar acabando um tempo bom que você não queria que acabasse. Não tem como medir o tamanho do tudo o que aprendeu! Vi vocês, ontem na tela, você e a Lelê! Se houvesse um detector de felicidade, capaz de medir em vocês o quanto inflaram de experiências, a tal bagagem invisível que eu falo tanto, se fosse tal qual o detector de metais do aeroporto, ele apitaria muito, um logo e ruidoso apito! Que bom que Deus manda Anjos para cuidarem da gente. Que bom que ele nos usa também como anjos e aos nossos amigos para cuidarem da gente, também. Somos seres sociais. Precisamos de convívio. Somos seres emotivos. Precisamos de emoção pra nos sentirmos vivos! Senão, vegetamos! Se eu tiver de depender de ser apenas razão, morro! Uso a razão para trabalhar, pra decidir com eficiência muitas coisas em minha vida. Fazer contas, “planejar gastos”. Mas optar por gastos que me mantêm viva, só o coração é capaz de fazê-lo. Se eu não tiver sensibilidade, um pouco de instinto, intuição, não consigo enxergar soluções para os problemas que me deparo no me dia a dia. É ter sangue nas veias correndo, pulso no coração que me mantêm viva. Se for de outra forma, não sou eu! Se eu parar de brigar, de falar, de escrever, de me alterar quando vejo algo injusto, ou que eu não concorde, não sou eu. São defeitos também. Sou “ruim”. Sou briguenta. Orgulhosa. Mas se a medida da intensidade de como demonstro meus sentimentos for amena, branda, creio, é porque perdi a identidade. Vou precisar de socorro para que me achem de volta. Me tragam e me cutuquem a memória. Não acredito que dê pra eu ser diferente. Não é que eu ache que desta forma seja a mais correta. Não é que goste de ser sempre assim. Sou agressiva, com isso. Compro causas. Visto a camisa. Me empolgo e se acredito em algo, meu entusiasmo é capaz de convencer pessoas. Mas se eu estiver sem os olhos brilhando, preciso de ajuda. Preciso tomar vento na cara. Sair correndo à noite, nem que seja só por um pouquinho! Pegar estrada de carro, janelas escancaradas, música de viagem. E se não for possível de carro, que seja de bike, de busão, a pé. Preciso de ar. Preciso me reencontrar. Preciso que quem me ame, tenha paciência comigo, cuide de mim, me aceite como sou, não se incomode tanto em eu ser assim, cheia de chatices e defeitos. Quando você voltar, quero pegar estrada com você. Topa? Nem que seja meio sem rumo, parando em hotelecos despretensiosos, mata, cachoeira, trilha, poeira. Nem que seja só por um pouquinho, nos seus intervalinhos de tantas reuniões. Não deixa eu perder minha identidade, ta?
Eu te amo e quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Decidir é querer ir!

Quadragésimo nono dia – 4 de janeiro

Sábado, recompondo sono...
Estranho, né? Antes eu me reabastecia de energia, gastando-a! Saía pra correr e, numa contradição incompreensível, ao invés de esgotar minha energia, eu a recuperava. Voltava com os olhos tinindo, brilhando, estalados de feliz... Preciso me reencontrar!

Tive de ir ao dentista logo cedo! Quebrei um dente ao sei como há uma semana e marquei para o sábado a restauração. Às nove estava lá. Às nove da noite a restauração já havia caído... Droga!

Eu me sentia esgotada. Cansada, Absorvida. Sugada, eu diria... Tinha de deitar e apagar...Releitura: fuga? Pode ser...

O sono me pegou de jeito. O corpo não acordaria se não fosse uma ligação no celular de minha irmã. Conversei com ela. Como é bom ter uma irmã com quem conversar! Isto não tem preço... Às vezes sou eu que necessito falar, às vezes, é ela. Ela acabou me dizendo que os noticiários mostram que na Europa tem nevado muito, feito muito frio e que tem morrido pessoas. Foram duzentas na Europa e cerca de vinte na Polônia. Fiquei preocupada! Você com sua mania econômica de não querer gastar, não tem botas quentes pra andar por aí. E eu sei que tem saído toda semana pra lugares mais distantes para trabalhar. Acabei de falar com ela e fui ligar o note. Coisa que tenho fugido. Bem, consegui, de cara te achar “on”. Que bom! Matei a preocupação e a saudade...

Fico feliz da vida te vendo ali, ao Vico na tela. Eita tecnologia boa! Tipo
“The Jetsons”... Desenho animado do meu tempo que mostrava as tele-ligações da época futura. Chegamos a ela! Falamos e nos vemos do outro lado do planeta, ou quase lá. Será que isto encurta distâncias? Será que isto resolveria problemas de amores a distância de antigamente? Porque no tempo das cartas, elas demoravam um mês pra chegar, quando pouco, uma semana, pra vir, mais uma semana pra ir e aí iam... “Tele-chamadas” devem ter lá sua colaboração na alimentação de relacionamentos à distância. Filhos longe dos pais, casai que se separam a serviço, namoros de verão pra subirem a serra... Será que serviriam pra reatar aquilo que o tempo e a distância separaram, um dia?
É, entrariam naquela parte que dizemos sobre Dedicar-se e Demonstrar o amor. Mas não acontecem sem o “D” da Decisão. Sem decisão, nada acontece! Decidir é querer ir!

3 de fevereiro

Quadragésimo oitavo dia - 3 de fevereiro

Sexta-feira. Dia de começar mais cedo o dia. Marcamos para as 6 da manhã para estarmos no serviço, para sairmos para o tal local. No total, foram mais de 12 horas seguidas de trabalho... De manhã e no almoço, fomos para o bairro e a tarde tive de acompanhar de novo no ônibus as crianças. Não deu certo! Escrever e ler, dentro de um ônibus em movimento, conferindo nomes, imagine o que deu... Enjôo... Recorri ao boldo numa das escolas, chá, mascar as folhas no trajeto todo do ônibus. Por fim, um comprimido pra passar o mal estar. Não sou nada a favor de me afundar no serviço. Sou bem ciente da necessidade de termos como fonte de realização e prazer noutras coisas. Mas, de certa forma, empenhar-me no trabalho tem me ajudado a fazer bem, alguma coisa que inicio, realizo e concluo, dentro de prazos certos. Nos meus papéis particulares, ainda há pendências a serem organizadas. Poucas, agora, mas ainda me esperam. Às vezes, tenho vontade de não ter nada, nada a organizar, planejar e cuidar. Mas é só um vento bobo que me passa. Sei que a vida assim seria fútil e sem rumo. É apenas cansaço! Não de agora. Acabei de voltar das férias. Cansaço acumulado de uma vida. Um tempo que me reservo de ter o direito de ter pra estar cansada de tantas coisas que levo. Pescoço duro. Papéis e m ais papeis... A falta que bombinhas nos fez. A mim e ao Gabri. Como fez falta! Foi novo e bom estar aqui, conhecer novas pessoas e re-conhecer a própria cidade. Não retiro nada do que escrevi todos estes dias! Não retiraria nada do que ganhei! Mas parece que aquele ventinho daquele lugar, que passa sem parar lá na beirinha daquele mar, quando a gente se senta de cara pras pedras, pra água, carrega tudo e tudo pra longe... Como um banho de alma... Leva embora o que nos é pesado... No revigora. E nos carrega a bateria pra tocarmos mais um ano... Aí, dependo dos papéis em ordem. Pois, quando finalmente estiver com “tudo sob controle” juro, boto uma mochila nas costas, de busão, de carro, seja do que fora, e vou lá passar um final de semana que seja! Seja no frio, no calor, como for! Se você e o Gabri toparem, vamos juntos! Não chego a me arrepender de ter vindo pra cá. Assumido mais gastos. Mas aquela conversa tua comigo, sobre viver com menos, mas com folga pra ir pra onde se que se quer tem vindo à minha mente ultimamente... Finquei raízes caras aqui! Que me prendem e me impossibilitam de sair andeira,como sou, por aí. E tenho medo disto! Raízes dão suporte, sim, eu sei! Mas não quero teias de aranha em torno de mim. Quero estar viva. Respirando o ar que me sustenta. Sol batendo em mim. Vento, vento... e o olhar perdido longe... sem limite, horizonte a frente, desimpedindo caminhos...

2 de fevereiro

Quadragésimo sétimo dia - 2 de fevereiro

Quinta-feira, o trabalho me consome...
Não deixa de ser ruim. Coisas a se resolverem no trabalho. Fui conhecer o tal local onde foram entregues duzentas casa a pessoas que oravam em fundos de vale e não tinham condições de moradia. São casas “meia-água” (divididas ao meio), com aquecimento solar sobre o telhado! Alguns apartamentos. É uma cidade a parte! Uma das crianças que acompanhei no ônibus, me falou que sua mão disse que o nome certo de lá é “Cidade de Deus”. Diferente da alusão que o nome pode parecer ter, é uma comparação à cidade que deu origem ao filme. Todas casinhas novinhas. Enfim, tempo de contraste. Como falei no dia de ontem, eu estava em ritmo de trabalho em meio turno. Agora, metade de meu dia localiza-se no meu trabalho...

Estas coisas me fazem ver, o quanto é preciso ter realização no que se faz trabalhando... É estressante, às vezes. Cansativo, mas tem que dar alguma realização. São muitas horas do meu dia lá! A minha válvula de escape até o início do ano passado era a corrida, a academia, suar, suar, suar... Botar pra fora o veneno nosso de cada dia. Ando meio perdida, sem ter onde despejar meu próprio veneno... Escrever, me ajuda. Mas são coisa bem particulares, as de ontem hoje e nestes dias em que escrevo sem ter nada de tão bom pra falar... São cartas pra você, apenas. Retrato de mim. Conversa entre nós duas. E sei que seria inútil eu tentar me colocar leve, colorida no papel (leia-se na tela), pois você me pega, certinho, como sou.De você, não me escondo. Você sabe bem de mim...

Foi mais um dia, apenas! E mesmo que a gente não ande lá muito com as próprias pernas, em direção a algo que intencionamos, o próprio vento se encarrega de soprar a vela, quando estamos incapacitados a ligar o motor, segurar o leme e impor a rota. Quem sabe, eu parando um pouco de adivinhar o destino, forçando caminhos, a nossa “Bússola” me leve aonde, de fato, eu tenha de chegar?

Acabei de falar com a Lele... Ela acabou de te levar à estação... Saudade sem tamanho de você...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro

Quadragésimo sexto dia - 1 de fevereiro

Escrevendo em bloco, não era o meu propósito, mas apenas para relatar dia-a-dia os últimos dias passados...

Dia 1 de fevereiro, quarta-feira, retornei ao trabalho. Oficialmente, pois eu já havia voltado pra uns servicinhos urgentes e inadiáveis. Pela primeira vez, depois de vinte e três anos de jornada dupla, tive parte do dia livre, desde setembro. A tal licença prêmio que é um dos privilégios de ser concursado. Ter direito a três meses de licença, a cada qüinqüênio, coisa que eu nunca havia desfrutado. Então, com tanta coisa a resolver numa jornada de dez horas diárias, decidi que era o melhor a fazer. E de setembro a dezembro, trabalhei só 6 horas por dia! Que privilégio... Agora, de volta ao mundo real...

Bem, devo ter ficado em torno de 10 horas e meia, direto lá, praticamente sem sair da cadeira. Um contraste para quem corria cerca de 50 a 70 km por semana. Isto tem me incomodado. Está difícil lidar com isso. O volume de serviço intenso, O bom é que ocupa a cabeça. Quando ela anda rodando por aí...

Sabe, querida, mal posso te falar alguma coisa sobre sobrecarregar-se. Não sei nem se sobreviveríamos sem isso. Mas estou numa fase transitória, refletindo sobre muita coisa. Ainda chego a algum lugar. E, espero, poder te falar de lá, se valeu a pena. Hoje, relato curto. Coisa que não curto: escrever para completar as lacunas de algo proposto e não cumprido. Dia por dia uma carta por dia. Mas como sei que me conhece bem, me lê nas entrelinhas, deixe lá tua mãe escrever por uma questão de tentar não perder a linha, a caneta, a tecla, a essência, o gosto, o prazer de escrever. Quem sabe, dedilhando, me reencontro e vou bebendo da seiva, de novo, daquilo que é das poucas coisas que me dá prazer e não dependo de outros e sim, apenas da minha capacidade de não perder a sensibilidade de ver a vida com meus olhos do coração, por mais que seja banal aos outros, escrever tanto e tanto, se tão pouca gente vai ler... Não me deixa perder a vontade de escrever? Me ajuda? Eu te amo, você e o Gabri, mais do que tudo na minha vida!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ate que enfim!

Ate que enfim!

Quadragesimo dia – 31 de janeiro

Coisa boa matar saudade!!!! Ver o rostinho de quem se ama, pela câmera e muito bom!!! E so nos falamos porque usei aquilo que sempre quisemos, demorou a acontecer, mas que e fato agora: morar perto. Tinha um intervalinho de uma hora entre o que eu havia acabado de fazer ate a consulta. Geralmente, enrolaríamos em algum lugar pra dar a hora. Ficavamos sempre direto, porque sempre moramos longe do centro e de tudo! No que eu decidi voltar pra casa, fui direto pro note... Telepatia? Pressentimento? Seja o que for, pus recadinho pra você no face e você estava la!!! Coisa boa ver você respondendo na hora, on line!!!! Ate que em enfim!!!

Carinha de cansada, você esta! Mas fica toda empolgada, mostrando coisinhas na tela que foram uma pechincha por ai! Pena que no note, não dava pra nos falarmos, eu te ouvia e você tinha de me ler. Mas na próxima, o problema já esta resolvido. Comprei, finalmente, o fone de ouvido para a gente se falar! Ate que enfim!

Bom ver que você não esteve tão sozinha e que na verdade, foi apenas falta de conexão. Que você se encontrou com outros da AIESEC e que esteve com a Leticia e outros brasileiros! Boas noticias! Ficara em Torun nesta semana, conectada (Bom!) e terá uma semana a mais tranqüila antes de embarcar de volta! Melhor! E assim, poderá visitar outros países!

Peninha não poder falar mais. O seu tempo e sempre bem curto, muitas coisas a fazer, dar conta quando consegue se sentar, conectar-se, ler e escrever. Então, muita coisa vai ficar pra hora que você voltar! E imagine que eu vou deixar você retornar ao Brasil e não vou te ver... Ate parece...

Bem, hoje mais respondo do que escrevo. Foi um monologo porque você falava e não dava pra eu responder a todo momento. Eu volto ao trabalho oficialmente amanha... Mais um mês pra você estar aqui... Saudade as avessas vindo, imagino quanta coisa você tem pra contar...

Somo pegou... Indo...
Boa noite, bom dia!
Beijo!!!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Decisões! Mudanças de rumos

Quadragésimo quarto dia – 30 de janeiro.

Enfim, tomamos coragem de optar por uma mudança: colégio do Gabri! Um namoro longo, muitos sins, muitos nãos e hoje, concretizamos a mudança. Não vou dizer que foi de todo tranqüila, segura. É difícil estar num lugar bem conceituado, hiper bem equipado, onde tudo corre na maior eficiência, primeiro mundo e optar pelo desconhecido. Base da decisão? Amizades. Aquilo que foi tão difícil pra você, passando todos os teus anos dos dez aos dezessete lá. E ele desde os dez até agora. Tenho uma segurança de estar fazendo a coisa certa pela carinha de felicidade dele ao saber que estará, finalmente com seus amigos mais chegados junto, todo dia, naquelas coisas de estudante nesta idade. Sei que quanto às outras coisas, não havia por que mexer! Mas, pensando no lado da tal “felicidade”, creio, não nos arrependeremos. E eu fico aqui com o coração apertado, com o medo de ter ou não tomado a decisão certa... Creio, este é o maior medo de uma mãe: errar nas decisões com seus filhos. Pois errar comigo mesma, não tem importância. Sou eu mesma que vou arcar com as conseqüências de minhas decisões. Mas errar na vida dos filhos e vê-los sofrer é um sofrimento em dobro!

Findado este episódio, me retraio, me recolho pra pensar... Quantas coisas têm de ser decididas... E não é fácil! A gente sofre, na véspera, sofre no dia, passa uns dias sofrendo depois, até que o tempo vai mostrando se acertamos. Até que acalmemos o coração! Isto ainda vai levar tempo. Mas algo me diz que ele será mais feliz assim. Com “menos” em coisas que considerávamos tão importantes, mas com muito mais em coisas essenciais. E isto, sinto, valerá a pena!

Tenho pensado tanto em você! Uma semana sem notícias tuas é demais! Sei que acabamos nos falando até mais do que o normal de Maringá! E ler suas impressões, o que você tem feito, pensado, sentido é prazeroso, alimenta, nos aconchega. Alivia o coração sedento de notícias, de estar perto, sossega a ansiedade! Imagino tua aflição, também, pois é a primeira semana que você fica tão isolada de contato com brasileiros, com tua gente, tua família. Espero que esteja começando uma semana mais “urbana” no sentido de ter conexão mais acessível! Mas também estou certa de que esta semana em local mais rural, fazenda, campo deve ter sido muito linda! Gente hospitaleira, casas aconchegantes, neve, lareira...

Querida, estou naquela de dar um passo de cada vez, ter medo de dá-los, medo de já tê-los dado, como se atravessasse aquelas pontes pencil com todo o cuidado e medo da ponte balançar demais e cair. Digo ponte pencil porque de cima dela, enxerga-se lá embaixo, os lados, ela balança, não disfarça os passos e qualquer precipitação reflete em ecos imediatos! Muitas vezes, não gostaria de ter de passar pela ponte. E, ao ter de passar mesmo, é mais fácil passar por pontes asfaltadas de concreto. Mas elas não permitem a visão de fora. O passo é cego. A passagem incerta. Não se sabe, exatamente, para onde se está indo. E a passagem faz parte. Necessária para passar de um local ao outro, mudar o rumo. Concretizar uma decisão! Com certeza, algumas pontes depois de transpostas, acabam caindo com o tempo e o retorno fica inviável. A não ser que se construam outras pontes no lugar. Passar por uma ponte implica em se saber que a volta não é garantida. Mas também não é proibida! Atravessá-las amplia o leque de visão! Alcançam-se outros vales, outras montanhas, outras vistas! De tudo, valerá à pena! Parto, então, deste princípio: atravesso para sentir o solo. Pois não adianta tentar vislumbrar do lado de lá, algo que só se sente pisando. E há sempre a chance de ser bom. Passagens é o ponto exato onde é permitido os extremos: o cume e o precipício, o fim e o início, o medo e a coragem, o tudo e o nada!

domingo, 29 de janeiro de 2012

“O tempo é o melhor remédio!” Alguém tem dúvida?

Quadragésimo terceiro dia – 29 de janeiro.

Estou indo para casa da Tia Any! De lá vou te escrever o dia de hoje! Coisas boas têm de ser comemoradas! Teu primo Andre começa uma nova fase! Passou em Veterinária na UNOPAR de Arapongas. Podia ser melhor? Nem sairá de casa, não precisará ir e vir todo dia, nem morar fora de casa! Provavelmente, se tivesse passado na época, estaria cursando Engenharia... E estaria em outra cidade, assim como você! O tempo, definitivamente, prega peças, conserta coisas, indica os melhores caminhos! Nada melhor do que o tempo. Sabedoria antiga e popular: “O tempo é o melhor remédio!” Alguém tem dúvida?