Quer participar de nossa conversa?



Giovana, minha filha, viajou em busca de seu sonho. Europa e Polônia fazem parte do itinerário. Daqui, lhe escrevo cartas. De lá, em seu blog, relata a cada dia, tudo o que vem acumulando em lembranças.

Este espaço é aberto a todos que entram aqui para compartilharem este gostoso sentimento da SAUDADE! Que, por alguma razão, têm uma afinidade em lerem "Cartas para quem se ama". De verem em linhas, sentimentos que lhes são tão familiares. E, a mim, será um enorme privilégio poder ler suas impressões e comentários.

Para isso, clique em "comentários" e digite suas palavras na janela que se abre. Se você tiver um pefil já definido (Google, WordPress, Nome/URL, etc) é só selecionar, senão, pode selecionar a opção "anônimo", aí é só "publicar"! Se quiser, identifique-se com seu nome e e-mail, ao final, pois assim, poderei fazer contato!



Bem vindo a bordo no Diário de Porto!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Abre parênteses...

Veja só, já tõ me achando! A própria escritora! Mesinha do Café na rodoviária, dedilhando, contando causos...

Bem, na verdade, é apenas um abre parênteses antes de eu relatar a emoção de rever minha filha. A gostosa sensação que coisa tão pouca e boba me deu. Um busão, mochilão nas costas, a da Gi e a minha e tanta coisa fervilhando cá dentro... Não é preciso muita coisa fora, quando você já tem tudo o que precisa dentro de si mesma! Primeiramente, a Fé que remove o intransponível. A essência que nos mantém autênticos ao que somos, nos assegurando estarmos vivendo e não apenas vegetando. E a sede de viver! Isto vem cá de dentro. Tudo o que buscamos fora se torna vazio e dispensável se não tivermos isto aqui dentro. Que nos faz ver graça, por exemplo, num pão de queijo com água tônica numa rodoviária. Andar algumas centenas de km em questão de somente três dias só para ver uma pessoa que se ama c.hegando de sua viagem dos sonhos! Gastar suas preciosas horas de seu banco de horas reservadas para as coisas mais importantes...

Minha filha! Você e seu irmão são as coisas mais importantes para mim! Só isto bastaria para me fazer viajar para te receber e passar estes dois dias com você. E aguardar você apontar no corredor de desembarque com o mais feliz sorriso que já te vi dar, ahhh... Não há nada que pague isso!

Te amo!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Minha caixa para você!

Septuagesimo terceiro dia - tua chegada!

Estou na estrada. Na Castelo, para ser exata, a cerca de 100 km de São Paulo. Um silêncio vindo de fora invade o turbilhão cá dentro. Mais algumas horas e, enfim, te reencontro!

Foram 73 dias! Por quantos valerão? Por toda uma vida, calculo. Mas, veja bem: do tamanho de uma vida muito, muito bem vivida. Que se meça pela quantidade de gargalhadas. Pelas largas passadas que rumam certeiras a um destino desenhado para se buscar.

As coisas que valem a pena, valem para uma vida inteira! Perpetuam-se. Ensinam e são relembradas sempre. Vão conosco. São pra sempre da gente, ainda que todos nem lembrem, não vejam. Tornam-se uma espécie de massa transparente que se mistura com a gente mesmo. Invisíveis, mas presentes. Ultrapassam a esfera do visto, visível, existente...

Lembra-se quando te falei, por diversas vezes, da tua bagagem invisível que você traria? Que dinheiro não compra, não acusa excesso de peso, não depende de mala de rodinha, nem mochila de zíper estourado para ser trazida? Pois bem! E como se não bastasse, não envelhece, não tem prazo de validade, não sai nunca de moda, é sempre bem vindo! São tuas lembranças. É quando o SONHO deixa de ser sonho, é vivido e pra sempre é SEU na forma de LEMBRANÇAS. Explico: SONHO é o nome no tempo FUTURO. LEMBRANÇA é o nome no tempo PASSADO. Quer saber qual é o nome disto no tempo PRESENTE? Hummmm... Tem que viver pra saber! Mas a chave da porta que leva a ele tem o nome de BUSCA. Leva a caminhos que ninguém vai saber ou viver por você. Representa o que você é. Explica amores, caminhos, "coincidências". Figuradamente, é aquela caixinha de presentes oca, vazia que, um dia, vocé me deu. Que continha um único e enigmático conteúdo: um ESPELHO! Basta olhar para ele. Se a imagem refletida nele no tempo PRESENTE não corresponder ao SONHO no FUTURO, a LEMBRANÇA do passado, cuidado! Alguém tomou emprestada sua caixa, põs lá dentro uma imagem qualquer e você está vivendo uma vida que não é a sua!

Gi, minha filha preciosa! Sabe a caixa que te pedi de presente? Contendo SÍMBOLOS da minha essência? É o meu presente a você! Contém coisas minhas que também são tuas! Escrever... Viajar... Natureza... Você, com certeza, numa versão aprimorada minha, com pitadas da personalidade de teu pai e ingredientes peculiares só teus, acrescentará outros ítens mais a ela. Lembra-se por que eu te pedi para fazer esta caixa para mim? Para eu, NUNCA, NUNCA, NUNCA esquecer a MINHA ESSÊNCIA... Pois bem! É este o presente meu que quero te presentear. Uma caixinha que contenha TUA ESSÊNCIA para que você nunca a perca. Traga-a sempre consigo e possa sempre abri-la para espiar e regar e manter vivo aquilo que você é e que te mantém viva.

Querida, como você mesma disse, teu sonho não está chegando ao fim. Você, apenas, tomou posse dele. De futuro, tornou-o passado. Isto só fortalece em você, a certeza de buscar outros mais. Eu estarei sempre aqui. No porto. Porto seguro para você retornar. De cada viagem que se embrenhar. Em cada sonho que ousar tornar seu. Breve, breve, hora ou duas e um abraço que é pequeno para conter todo nosso amor.

Até já! Te amo. Sempre e pra sempre!

Mammy

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Septuagésimo Segundo dia! Véspera de sua chegada!

Gi...
Estou a hora e meia de pegar um ônibus que me levara ate Bauru e de la, eu e os pais da Le, tua companheira de viagem, amiga cabeca de câimbra e de sonho iremos juntos buscar vocês em São Paulo. A esta hora amanha já estaremos todos juntos viajando de volta ate Lençóis Paulista, na casa deles e la passarei dois dias com você. Finalmente!
Não há muito que possa dizer que já não tenha sido dito... Mas de todas, o que faço questão de repetir quantas vezes for necessário e… Quanto orgulho de voce! Quanta admiracao… quantas vezes fosse ou for necessario, voce sempre tera meu apoio pra buscar teus sonhos. E como valeu a pena… Sempre e sempre valera a pena, ouvir a voz do coracao, sentir quais sao teus sonhos e ir…
Logo mais, juntas, novamente!

Beijo, te amooo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sexagésimo sétimo dia!!! “Quem não arrisca, não petisca!”

Sexagésimo sétimo dia!!!

Veja só... Reta final! Muitas coisas ganhas pelo caminho. Frases simples definem bem isto que se passou. Do tipo: “Quem não arrisca, não petisca!” simples e verdadeiro... Quem não arrisca, não sente o sabor do novo, do saboroso. Passa a vida comendo angu...

Não que um pratinho de feijão com arroz, pra quem gosta não seja precioso e saboroso. Sou adepta de pratos simples. Mas sou mais da linha “baciona” de alface, rúcula e agrião, com tomate vermelhinho, de preferência o pequeninho, um legume, uma carne, porque, apesar da panca de vegetariana, sou chegada numa carne vermelha bem preparada, um peixe, um frango, um churrasco.

A questão do angu, explico. Quem nunca sentiu o aroma de outro prato, que não seja o seu angu de todo dia, talvez nem sonhe que haja outros sabores, outros paladares. E sua vida seja predestinada a ser sempre assim. Angu e angu! E não lhe fará diferença, nunca. O problema é o vento! Este que eu adoro sentir na cara, que me desperta, me faz pensar que estou na praia, que me faz sentir que todo o peso está sendo levado de dentro da minha alma, a cada vez que ele bate em meu rosto e corpo... O vento é faceiro... Sutilmente, leva e traz. Assim como as donas faceiras que se dependuram nos portões contando a vida alheia! Sim! De mansinho, levam cheiros. Trazem outros. E aguçam narizes alheios! E pessoas que jamais pensaram existir outros aromas, descobrem, de repente, que o mundo é muito mais do que o seu nariz alcança! E, curiosos, sentem necessidade de saberem de onde vem, o que são estes cheiros tão diferentes...

O problema do angu com a mesma cara de todo dia até poderia ser facilmente resolvido com temperos diferentes. Molho vermelho, sem molho, carne picada, sem carne, cheiro verde, sem cheiro... Mas só a vestimenta não resolve mais quando é o conteúdo que pede novidade. (Qualquer semelhança com a vida das pessoas, que trocam de roupa, de carcaça, mas não mudam o conteúdo NÃO É MERA COINCIDÊNCIA!)

Há pessoas que levam uma vida inteira sem conhecer o mar! Muito mais gente do que imagina nossa vã ignorância! Convivo com gente bem simples no atendimento que faço em meu trabalho. Isto pra gente do interior como nós, é fato! Como saber então que o cenário pode variar tanto, dispor-se em montanhas, vales, mares, diferente do seu mundinho que seus pés alcançam? Somente pela televisão. Porque, hoje, há a televisão. Pra cutucar a vontade alheia, cutucar vaidades, desejos que cobiçam o diferente. Muita coisa, antigamente, era mostrada por livros. Eles eram a porta de a passagem para viagens intermináveis de jovens leitores. Hoje, a televisão, a internet cumpre este papel a quem tem acesso a elas. Mas entre olhar, passivamente e decidir-se a ir buscar este mundo imenso posto diante de seus olhos há um abismo enorme...

Pensar em “por onde meus pés passam” ou “onde meus pés alcançam” é um plágio assumido do que sempre diz minha filha. “Fotinha” dos pés postos indicando um horizonte longe, emoldurados por algum lugar especial que represente alguma viagem importante. Logicamente, nesta sua viagem, haveria muitas molduras... Como foram! E, mais do que nunca, vêm confirmar a frase “quem não arrisca, não petisca!”.

Escrevo hoje num presságio do final que se aproxima. E, pra variar um pouco, fico na dúvida... Posto no CLICS ou no Diário de Porto? Comecei escrevendo para ela. Para o Diário. Mas tem tudo a ver com o que posto no CLICS... Vou inovar então! Pura safadeza minha. Vou postar nos dois! É o sexagésimo sétimo dia de sua viagem. Mas é uma conversa, prosa boa sobre o sabor desta sua viagem... Tudo a ver com o CLICS. Fruto do Diário. Como não poderia deixar de ser... Somos nós duas nos dois!

O que é tempo? Se não a opção que fazemos de nossas vidas?

Quarta feira de Cinzas...

Cinzas de quê? Dos dias anteriores. Neste caso, do tal carnaval. Que já foi festa despretensiosa, digamos, até sem malícia, ou maldade. Mas talvez, na raiz disto tudo, seria exagero classificar assim! Religiosamente, a festa tem origem pagã! Como quase todos os costumes enraizados nas festas religiosas, também. Mas não é minha intenção discutir o bem ou mal, o vínculo de cada um.
Como tive a infelicidade de receber um comentário invasivo, infundado e infeliz em meu mural no face, ao divulgar o post da Gi de seu blog, fico meio esperta. A internet é de livre acesso. A gente divulga e recebe críticas. Entra, se quiser, lê se quiser e critica com a devida educação. É no que acredito! Mas nem todos pensam assim. Críticas e comentários são sempre bem vindos. Desde que para “classificar” nossas palavras ou textos, use de respeito, de conhecimento, ou se busque saber quem é que fala, sua história de vida, antes de nomear com palavrinhas jocosas o que escrevemos! Abobrinha? Sim! Preferível se a contrapartida for comida refinada, sonsa, nada ligada às origens de quem fala. Como escrevi uma vez no texto “Natal com polenta” em meu blog, é na simplicidade que mora a felicidade. Nossos blogs, meus e da Gi, não têm a pretensão de agradar aos outros. Escrevemos porque é algo que gostamos. Escrevemos para expressar sentimentos, nosso pensamentos, nossos sonhos e compartilhar a busca deles e a sua conquista! Escrevemos para que as pessoas que queiram ler e compartilhem de sentimentos parecidos, possam viver juntas da gente, a conquista, para sentirem-se capazes também, de buscarem aos seus! Nossas palavras são palavras simples. Sinceras, de uma espontaneidade desprovida de malícia ou mascaradas para agradar, se isto implicar em abrir mão da originalidade e da verdade. Escrevemos o que vai de fato cá dentro! Desvendamo-nos a nós mesmas, para COMPARTILHAR...

Bem, feito o desabafo de constatar que algumas pessoas entram para lerem para postarem “sinceros” comentários desrespeitosos, sem a mínima noção da vida de quem escreve, apenas para aparecerem no mural alheio, vamos ao dia de hoje!

Estou a cinco dias na casa de uma amiga querida, do coração! Como é bom ter colo de amiga!!! Naqueles momentinhos de querer ir pra casa da mãe que não está mais conosco, ou da irmã pra ficar horas papeando, fugir um pouco do burburinho de todo dia, respirar outros ares, um vento na cara de estrada, falar-falar-falar, ouvir-ouvir-ouvir... Faz bem! E a gente sempre sabe o que faz bem... Quase hora de ir embora (mais a noitinha), pego um pouquinho do tempo pra dedilhar, antes de ir... E registrar o quanto somos privilegiados por termos amigos assim! Destes, tipo a Edna que a gente liga e diz... “Posso ir aí amanhã?” Na maior cara de pau e... vem! Fica na casa como se fosse da casa, papeia, vai com ela pra lá e pra cá, fica sozinha quando ela sai pra um treino que não dou conta e fico – totalmente – à vontade! Bom...

A viagem de minha filha está chegando ao fim! Imagino que ela esteja em contagem regressiva! E embora a saudade deva estar apitando em seu coração, o desejo de colo de mãe, de pai, de irmão, das amigas, a saudade às avessas esteja doendo, doendo...

Sinto que isto seja a nossa sina! Viajamos. Amamos viajar. Mas a cada retorno anunciado, a proximidade do retorno às nossas casas nos deixe um pouco saudosistas, antes da hora, por desejarmos tanto e tanto por o pé na estrada e ficar um pouco mais lá onde estamos! E penso... O que é tempo? Se não a opção que fazemos de nossas vidas? Foram dois meses e meio que poderiam ter sido para ela, iguais a todo ano. Por mais recheados de lembranças boas que optamos a todo ano, em irmos e ficarmos em lugares escolhidos por nós e que apreciamos e curtimos, a ousadia de tentar um novo precisa existir! É desta ousadia que depende a vivência do inusitado. De coisas novas não experimentadas e, talvez, não imaginadas. Definir um sonho, torná-lo meta, planejar as estratégias para realizá-lo e vivê-lo é algo próprio de quem arrisca e não teme ir por um caminho desconhecido. Por acreditar que pelo caminho, caminhando, irá encontrando os motivos de prosseguir. Serão pessoas que nos acolhem, que comungam dos mesmos ideais, de olhos que cruzam a sua frente, desejosos de acreditarem que seus simples sonhos são possíveis também! Jovens pares de olhos que faíscam ao verem e ouvirem suas historias simples que, comprovadamente, fizeram e farão a diferença na vida de outras pessoas! Não são de grandes coisas que necessitamos! São das pequenas! As que nutrem, que não deixam esmorecer, que abrem janelas, mostram caminhos, indicam o horizonte...

Minha filha, em uma semana já estará no Brasil. E não há nada que me faça pensar diferente sobre o quanto foi a decisão certa a ser tomada! Quantas são as coisas que pensamos num determinado momento em nossas vidas, no mais íntimo do nosso coração, no secreto de nosso arrependimento, que deveríamos ter ido por outro caminho, mas que não há mais tempo de corrigir a direção (ou a coragem para fazê-lo não veio ainda...)... Esta certeza que se tem do caminho tomado certo, da coisa certa feita é a certeza do passo certo. Que pode nos levar a uma caminhada certa. Esta que tantos buscam para sua realização pessoal, da felicidade de uma vida vivida plenamente e feliz. É assim que vejo sua vida, querida! Setenta e três dias vividos intensamente que enriqueceram sua vida e que te farão toda a diferença!

Eu te admiro, hoje, muito mais do que antes! Foi guerreira, valente. Acreditou quando muitos não acreditariam e entregariam os pontos. Não se fez de rogada às dificuldades. Traçou os meios. Não teve vergonha alguma de trabalhar e trabalhar e trabalhar. Economizar e economizar e economizar para tornar possível seu sonho! Como você mesma disse, é VIVENDO O QUE SE FALA que se mostra o quanto uma vida é verdadeira. Você é autêntica, transparente, tem convicção no que fala porque vive aquilo que diz! Por isso, suas palavras convencem e são modelo! Com certeza, fará toda a diferença na vida de muitas pessoas que tiveram o privilégio de passarem por você!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Diario de bordo: Dabrowa Chelminska - 07/fev


Olhe só suas belas palavras...

"Isso me fez pensar muito nos nossos sonhos novamente. Esse com certeza é meu livro preferido, e ver ele agora nas minhas mãos, em polonês, como eu tinha sonhado um dia, foi incrível.. Fiquei pensando no poder que temos as vezes de realizar as coisas, mas que por vezes deixamos de ‘utilizar’ ou apreciar, só por medo ou por algo assim..
Fiquei muito, muito feliz com a minha compra, não só pelo livro, mas pelo o que ele representa..
Isso até me fez pensar e decidir algumas coisas eternas.."

Vale ou não vale ler???


Diario de bordo: Dabrowa Chelminska - 07/fev: A noite de ontem não foi muito fácil, acho que muita preocupação na cabeça, pensar demais faz com que a gente sonhe coisas que anda pensando...

Então, tá! O MEU PRESENTE!

Bem, começamos nossa conversa hoje, depois de um tempo de silêncio! Rapidinho a coisa engrena pra brincadeira, vejo brigas de travesseiro na tela, mimimis e caio na brincadeira! É uma delícia a tecnologia quando ela serve pra aproximar! E usufruo disso ao ver você ao vivo no estilo “The Jetsons”, vendo, mesmo brigando com o PC que teima em não me dar som. Depois, no outro aparelhinho te vejo, te ouço, mas você ao me vê, nem me ouve. Osso do ofício! Depois a gente dá um jeito nisso!

Naquela de dar uma de Dona Estela, fui falando... Não precisa pensar em mim, não! Junta todo o dindin e compra a tal câmera tão sonhada, se a grana der pra isso. Missão quase impossível, mas não ficaria nada chateada se fosse por uma boa causa! Ademais, o sangue do Vovô Paulo iria pular cá dentro e, logicamente, eu me daria o gostinho de pegar na mão uma super câmera pra testar também, só pra sentir o prazer! Mas se não dá, não dá. Não vai faltar oportunidade pra realizar este sonho!

O que eu quero pra mim de lembrancinha? Ow difícil tarefa! Falo que não precisa, você insiste e, consultando o velho ego lá dentro, tem uma vozinha que pede bobaginhas! Bolsa? Blusinha? Coisinhas de mulherzinha? Sempre agradam, sim! Logico que o lado Susi-vaidosinha vai se agradar de qualquer coisinha destas! Tudo bem! O que vier é lucro. Sem gastança desnecessária. Me divirto ao ler você colocando que comprou uma calça NOVA! Pois adoramos passar no “Brecho Lavô Tá Novo” de Jaraguá pra garimpar coisas lindas, baratas e originais! Estilosíssimas! Raridade, pois Brecho em Londrina ainda é sinônimo de coisa usada, feia, fedida...

Aí, viajando na brincadeira, acabei determinado o que quero daí! Uma caixinha a La Liz da história do “Comer, Rezar e Amar”. Genial! Achei! É isto mesmo que eu quero! Uma Caixa de Essência! A minha essência! Dito, ouvido (ou escrito e lido) a missão foi aceita! Você caçará e juntará numa caixinha “símbolos” do que sou. Ninguém melhor do que filhos pra saberem disso! Imagino se estivessem vocês dois, você e o Gabri, andando pelas ruas da Polônia e Amsterdã, caçando estas coisinhas... Vamos de filha postiça, a Lelê pra te acompanhar, enquanto o Gabri não se embrenha nas viagens pra fora...

Siga teu coração! Você me lê nas entrelinhas. Sabe de mim, como eu mesma! Muitas vezes, antecipa e me sabe, melhor do que mesma. Pois não tem dó de enxergar aquilo que, muitas vezes, camuflo em mim... Quando falei com você sobre ter medo de perder minha identidade, você apontou: ESCREVER, VIAGEM e NATUREZA! Fechou!É isso! ESCREVER : O lado “interiorista” de dedilhar o que vai lá dentro, independente de quem vá ler. VIAGEM: O lado vento na cara, pé na estrada, musica de viagem, sorrisão no rosto e o horizonte à frente! Somos do mundo, no bom sentido de não termos fronteira. Nem medo de ir. Nem medo de seguir. Ainda que eu, muitas vezes, me imobilize. Temos ainda o Caparaó com um 4x4 – a Revanche! Temos a Patagônia a três, três motoristas, dando a volta na ponta do Brasil de baixo e fazendo a curva lá adiante... NATUREZA: Temos Bonito, as Chapadas, o Itaimbezinho com o Pedro Pan. E os lugares que vocês irão primeiro sozinhos pra me levar depois! A nossa árvore no Retiro... O osso Morro do Macaco, que estarão sempre lá, mesmo que as nossas viagens pra lá sejam substituídas por uma boa causa como foi agora, ou poderá ser quando o nosso destino indicar outros lugares...

Te pedi SÍMBOLOS! Se é metaforicamente que escrevo, nada mais apropriado que presentes metafóricos... Você já imaginava isso! Lógico! Já havia cantado a bola pra Lelê! Sim! O Anel que fica no dedo visível pra sempre me lembrar do nosso propósito, assim como nossa aliança, um anel que me remeta a ver sempre a palavra SONHO me cutucando... Uma caneta? Um carro? Uma pedrinha? Você saberá como simbolizar cada coisa que vê tão clara em mim. Sei diso!

Filha, vou fazer, agora, o que você mesma enxergou! Ficar com minha amiga do coração! Porque escrever é bom, quando não nos rouba de estar ao vivo, com quem é tão importante pra gente! Fui!

MEU PRESENTE? FÁCIL... MAS MONTE O SEU!

Pois é! Caminhamos pra frente, miramos longe no horizonte, vislumbramos o NOVO... Isto é típico nosso! Mas paramos, olhamos a volta, atrás e... Aprendemos com o que passamos e fica pra trás...
DESAPEGO! Isto explica um pouco quem colhe pelo caminho e não tem receio de seguir, colhendo o NOVO! Você tem a certeza de que o que colheu irá sempre com você! Por isso, não tem medo de seguir, ainda que carregue consigo a SAUDADE... Não querer permanecer não é sinônimo de não ter amado quem cruzou pelo teu caminho. É apenas mostra de que teu coração é imenso e cabe muito mais aí...
CURIOSIDADE! É tua marca. É o que te faz ter olhos vivos. Que movem-se e acompanham cada movimento a sua volta. Que faz captar perspicazmente (lembra do Glenio te descrevendo assim? Perspicaz!) e aprender e apreender... Não é só teu coração que coleciona novidades. Tua mente também!
GENEROSIDADE! Quem que te conhece que não te identifica assim? Aquela que carrega as sacolas e pacotes do mercado e não deixa a gente carregar. Aquela que se doa ao outro, esquecendo de si própria, em pequenas e bobas coisas. E também em grandes coisas como tempo dedicado a ouvir, quando seu próprio tempo é tão espremido para caber tanta coisa que pega pra fazer... Que economiza suas baladas, seu mercado, pra ter din-din pra uma viagem desta. Só pra não me dar despesa que não posso ter. Ahhhh, fillha! Você é a pessoa mais generosa que conheço, veia de tua vovó, que saia atrás de mim correndo me dando coisas que tirava de sua própria casa, tipo, blusinhas que achava melhor em mim, comida, verdura, porque doar pra ela não era nada...
DETERMINAÇÃO! Dificuldades? Sim... Existem. Mas não são impedimentos! É assim que te vejo! Você sempre sonhou “ir pra fora”. Ultrapassar a barreira do país. Conhecer outros mundos... Sempre foi difícil e não foi fácil acreditar que conseguiria. Mas você SONHOU, DETERMINOU A META, PLANEJOU, PRIVOU-SE DE MUITAS COISAS E COLHEU O SONHO! Quantos sonham e ficam só sonhando? Obter o que se sonha é fruto de determinação, dedicação, sacrifício, e perseverança! Lembra a nós, corredores, o concluir uma maratona? Siiiiiiiiiiiiim! Você é uma vencedora! Já te falei isso! Tua maratona extrapola os 42km. Teu alcance vai além! Sem fronteiras. Pois quem faz ao outro, não fica preso aos muros. Sempre vai além. Por isso, desde você pequenininha, quando já sonhava viajar, ir pra Austrália, sempre soube que o horizonte definiria aonde chegaria. E teus olhos miram longe...
FÉ! Nós sabemos bem o que vivemos, o que passamos nos tempos de muita fé, na falta de fé, de questionamentos meus em torno disso. Regras religiosas, imposições, preconceitos e saber do Amor Ágape de Deus. O ter certeza sem nada ver. Você se manteve íntegra, sincera, firme na certeza de Deus te cuidando e te amando. Louvável e, diria, invejável! Pois acima de qualquer coisa, nunca perdeu a certeza de que há, sim, um Deus que nos ama, cuida e vê lá na frente por nós! Isto faz toda a diferença! Isto te faz ser tudo aí que descrevo aí em cima... O amor de Deus nos nutre, alimenta, resgata e define nosso caminho.

Gi! Ia escrever sobre minha caixinha de presente. Vai ficar pra outra. Que tal você e a Lelê fazerem a de vocês? Uma caixinha miudinha que contenha a essência de vocês? Pra nunca, nunca esquecerem quem são? Algo pra se guardar debaixo da cama, no criado, na memória sobre o que as moveu a irem, a acreditarem ser possível o sonho, pra pegar toda hora que precisarem se achar, nas crises, nos momentos difíceis quando a gente tem vontade de desistir? Pensem nisso... E vão bolando a minha caixinha também!

Muito inspirada, hoje...

Um retorno... Porque pra escrever tem que brotar do coração...

Muitos dias fora do ar... A vida é feita de CICLOS! Assim como andei escrevendo no meu velho e outro blog CLICS (www.clicandoeconversando.blogspot.com), vivemos em ciclos! E da última postagem pra cá, mergulhei num tempo de parada, imobilidade, uma quase apatia e seria mentira eu negar, fingir e socar letras pra preencher este vazio que existiu. Vazios existem pra dar sentido ao que preenche depois! Certos vazios não serão preenchidos jamais, quando aquilo que o preencheria foi perdido no tempo. E sensato é, pra não ter eternamente o sentimento de frustração, deixá-lo vazio. E encontrar dentro de si mesmo, outros espaços a serem preenchidos por outros. Cada qual com seu valor. E manter o espaço e cada um.

Este tempo de parada, se não estou enganada deve ter uns catorze dias... Quando eu perdia um ou outro dia, retomava completando estes espaços – vácuos! Reescrevia os dias, relembrando o que havia se passado em cada um deles e relatava cada coisa em cada dia. O que acontece agora é que não dá pra relatar vazios! E me reservo o direito de deixar a lacuna. Foram dias sem inspiração. Inspiração? Como dizer que fiquei sem inspiração pra escrever pra minha própria filha que está lá na Polônia, longe, carente de carinhos, palavras e atenção? Bem, explico!

Se há pessoas que nos compreendem, sem nem mesmo termos de nos explicar, estas pessoas são as que nos amam (e que, invariavelmente, são as que nós amamos!). Gi, você é uma delas! Eu apenas não escrevi no blog. Nas minhas cartas a quem eu amo. Mas estive conversando com você por outros meios. Pois o espaço do blog é um espaço publico das nossas palavras. E seria ingênuo pensar que nos falamos apenas aqui. Mesmo porque nem tudo o que falamos é publico. Não nos vendemos a ser vitrine em tudo. Prezamos pela nossa privacidade, ainda. Publicamos o que consideramos ser olhável aos outros. Preservamos nossas conversas só nossas!

Meus vazios são a mostra clara de ser falha, sentir tristeza, duvida, insegurança, preguiça, falta de assunto, falta de motivação, falta de vontade. Ainda que o motivo de eu escrever no blog, neste blog, seja uma das coisas mais importantes da minha vida. Hoje, você, Gi, que está fora do país. Com certeza, daqui um tempo será o Gabri! Porque criei filhos para terem asas. Voarem alto e longe! E tenho certeza que da vontade que ele sempre teve de ir “pra fora do país”, como ele mesmo dizia quando era criança, nascerá a motivação para de fato ir. A questão não é por quem faço. Escrever não é algo custoso, obrigatório ou regrado. Escrever para mim é algo que FLUI. Naturalmente. E já foi o tempo de eu tentar me forçar a ser infalível. Não sou perfeita, não sou o tempo todo feliz, o tempo todo inspirada , o tempo todo de boa, o tempo todo forte, o tempo todo, toda certa! Erro! Falho! Falto! Sumo e também tenho vontade de sumir. E sumi! Seria muita falsidade de minha parte fingir... Fingir é algo que agride brutalmente minha essência. Não sei lidar com isso! Isto agride, corrói, mata quem eu sou. E isto tem me feito refletir muito por onde ando, o que faço, o que sou...

Se eu fosse presa a regras, eu me sentaria a uns dias atrás pra completar as lacunas deste blog. Tentaria fazer um esforço tremendo pra lembrar algo de importante de cada dia não escrito para relatar dia-por-dia o buraco que ficou. Grande coisa seria! Um blog que “honrou” bravamente seu “propósito” de postar diariamente... Mas que esconde debaixo de tanta eficiência, a falta de sinceridade. Cumpriu o proposto. A obrigação. Ainda que para isso, passasse por cima da sua própria cabeça e coração... Não! Definitivamente, não! Não fui feita pra isso! Não consegui escrever nestes dias, não por falta de conexão. De fato, trabalhei muito nestes dias e o cansaço veio. Mas ainda assim, eu dedilhei numa das madrugadas e escrevi. Cansaço nunca foi motivo de eu não escrever. A ausência de vontade no coração, sim...

Seria covardia de minha parte eu atribuir para fora de mim esta inércia que tomou conta de mim. Engolimos o que permitimos passar goela abaixo. Tudo o que nos alimenta, é opção nossa. Somente nossa. E se passamos um tempo “sem identidade” é porque seguimos por um caminho que não é o nosso. Deixei um vazio, sim! Mas retomo hoje! Porque, nada melhor do que falar com a própria interlocutora deste blog, a minha preciosidade, a minha filha Giovana, para tomar uma baita injeção de ânimo e me reencontrar. Coisas de gente que se ama de verdade. Particularidade de gente que tem sintonia, telepatia (como a gente mesmo se identifica, tal qual é a nossa ligação!). Bati um papão com você, via internet, e me achei. Dei muita risada, brinquei um monte, descrevi meu presente de viagem (isto rende um postagem só pra isso!) e recuperei a vontade de dedilhar... Então, tá aqui! De novo! Again! Nada de tão maravilhoso ao outro que não lê nas entrelinhas, não compreende a voz do coração. Que não pega no ar a essência... Mas para as pessoas que têm dentro de si a capacidade de compreender que o essencial é invisível aos olhos, que sabem que o que alimenta o dia-a-dia não são coisas feitas e visíveis, mas aquelas que fazem os olhos brilhar, os lábios sorrirem, e a alma pular, compreenderão... Voltei! Porque manter o fiozinho com quem se ama é algo que se faz espontaneamente. Flui. Mantém-se, naturalmente. Ainda que haja buracos ou abismos no caminho.
Giovana, obrigada por ser esta filha tão preciosa, esta pessoa maravilhosa que você é, este coração amoroso e generoso que me dedilha palavras que me fazem não deixar de ser quem sou. Cheia de defeitinhos, mas com qualidades também. Como você mesma falou. E se vire no meu presentinho... Sei que vai dar conta do recado!
Te amo! Só e tudo! Sempre e pra sempre!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

8 de fevereiro

Quinquagésimo terceiro dia - 8 de fevereiro.

Querida! Sem tempo de blogar decentemente! Tem sido em torno de 17, 15 horas por dia de trabalho. Entrando às 6h, saindo entre 10 e 11 da noite, ate mais de meia noite... Qd chego em casa, banho e cama! Mas compenso no sábado pela skype. Muito sono... Vou dormir..

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O tempo

Quinquagésimo segundo dia - 7 de fevereiro.

O tempo encerra
O tempo inicia
O tempo faz esquecer
O tempo faz relembrar
Cutuca feridas
Cura vidas
Faz pausar
Faz prosseguir
O tempo engana
O tempo revela
O tempo cansa
O tempo faz descansar
Aprisiona
Liberta
Sustenta
Desespera
Com tempo se ganha
No tempo se perde
Sem tempo se esquece
Fora do tempo se permanece...

Ha coisas que se encaixam no tempo
Outras dele extrapolam, o negam, o superam

Hoje meu tempo teve uma medida: quase 17 horas de trabalho. Amanhã quem sabe o que abrigará?

Sem tempo para o invisível hoje. Do cel, devaneios bobos para você... Daqui 4 horas retornar ao trabalho.

Te amo, cansada, te amo!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tua boa companhia... A conversa que eu queria!

Quinquagesimo primeiro dia - 6 de janeiro.

O que mais gostei ontem foi falar com você... Ter filhos é um presente de Deus. Ter uma filha-amiga-sabia como você e um filho-amigo-cabeça como o Gabri é um privilégio, uma honra, uma preciosidade indescritível! Vejo o quanto vocês amadureceram. O quanto seguem seus caminhos, o quanto são capazes de opinarem, enxergarem, decidirem sobre o que veem, passam, presenciam, vivenciam...

Creio que algumas coisas vão entalando passagens e o curso natural das coisas. Chega uma hora que é preciso desobstruir. Abrir portas, a janela, a gaiola é um primeiro passo. Muitas vezes achamos que a chave está com alguém e não percebemos que ela está bem próxima a nós. As vezes, dentro da mão cerrada que se comprime junto do coração que se fecha para não sofrer. De qualquer forma, sempre é tempo de se acordar.

Hoje foram quase 15 horas ininterruptas de trabalho. Pensar que passei 1 ano trabalhando 14 horas por dia. Vivia que hora? Talvez, enquanto sonhava... Nada tão diferente de agora...

Obrigada pela boa conversa e companhia de ontem! Te amo!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Quinquagésimo dia – 5 de janeiro

Virou a dezena de novo! São mais três semanas???

Refresca a saudade de você. Mas sei que por aí, vai ficando o ar de estar acabando um tempo bom que você não queria que acabasse. Não tem como medir o tamanho do tudo o que aprendeu! Vi vocês, ontem na tela, você e a Lelê! Se houvesse um detector de felicidade, capaz de medir em vocês o quanto inflaram de experiências, a tal bagagem invisível que eu falo tanto, se fosse tal qual o detector de metais do aeroporto, ele apitaria muito, um logo e ruidoso apito! Que bom que Deus manda Anjos para cuidarem da gente. Que bom que ele nos usa também como anjos e aos nossos amigos para cuidarem da gente, também. Somos seres sociais. Precisamos de convívio. Somos seres emotivos. Precisamos de emoção pra nos sentirmos vivos! Senão, vegetamos! Se eu tiver de depender de ser apenas razão, morro! Uso a razão para trabalhar, pra decidir com eficiência muitas coisas em minha vida. Fazer contas, “planejar gastos”. Mas optar por gastos que me mantêm viva, só o coração é capaz de fazê-lo. Se eu não tiver sensibilidade, um pouco de instinto, intuição, não consigo enxergar soluções para os problemas que me deparo no me dia a dia. É ter sangue nas veias correndo, pulso no coração que me mantêm viva. Se for de outra forma, não sou eu! Se eu parar de brigar, de falar, de escrever, de me alterar quando vejo algo injusto, ou que eu não concorde, não sou eu. São defeitos também. Sou “ruim”. Sou briguenta. Orgulhosa. Mas se a medida da intensidade de como demonstro meus sentimentos for amena, branda, creio, é porque perdi a identidade. Vou precisar de socorro para que me achem de volta. Me tragam e me cutuquem a memória. Não acredito que dê pra eu ser diferente. Não é que eu ache que desta forma seja a mais correta. Não é que goste de ser sempre assim. Sou agressiva, com isso. Compro causas. Visto a camisa. Me empolgo e se acredito em algo, meu entusiasmo é capaz de convencer pessoas. Mas se eu estiver sem os olhos brilhando, preciso de ajuda. Preciso tomar vento na cara. Sair correndo à noite, nem que seja só por um pouquinho! Pegar estrada de carro, janelas escancaradas, música de viagem. E se não for possível de carro, que seja de bike, de busão, a pé. Preciso de ar. Preciso me reencontrar. Preciso que quem me ame, tenha paciência comigo, cuide de mim, me aceite como sou, não se incomode tanto em eu ser assim, cheia de chatices e defeitos. Quando você voltar, quero pegar estrada com você. Topa? Nem que seja meio sem rumo, parando em hotelecos despretensiosos, mata, cachoeira, trilha, poeira. Nem que seja só por um pouquinho, nos seus intervalinhos de tantas reuniões. Não deixa eu perder minha identidade, ta?
Eu te amo e quero muita poeira de estrada com você ao meu lado!

Decidir é querer ir!

Quadragésimo nono dia – 4 de janeiro

Sábado, recompondo sono...
Estranho, né? Antes eu me reabastecia de energia, gastando-a! Saía pra correr e, numa contradição incompreensível, ao invés de esgotar minha energia, eu a recuperava. Voltava com os olhos tinindo, brilhando, estalados de feliz... Preciso me reencontrar!

Tive de ir ao dentista logo cedo! Quebrei um dente ao sei como há uma semana e marquei para o sábado a restauração. Às nove estava lá. Às nove da noite a restauração já havia caído... Droga!

Eu me sentia esgotada. Cansada, Absorvida. Sugada, eu diria... Tinha de deitar e apagar...Releitura: fuga? Pode ser...

O sono me pegou de jeito. O corpo não acordaria se não fosse uma ligação no celular de minha irmã. Conversei com ela. Como é bom ter uma irmã com quem conversar! Isto não tem preço... Às vezes sou eu que necessito falar, às vezes, é ela. Ela acabou me dizendo que os noticiários mostram que na Europa tem nevado muito, feito muito frio e que tem morrido pessoas. Foram duzentas na Europa e cerca de vinte na Polônia. Fiquei preocupada! Você com sua mania econômica de não querer gastar, não tem botas quentes pra andar por aí. E eu sei que tem saído toda semana pra lugares mais distantes para trabalhar. Acabei de falar com ela e fui ligar o note. Coisa que tenho fugido. Bem, consegui, de cara te achar “on”. Que bom! Matei a preocupação e a saudade...

Fico feliz da vida te vendo ali, ao Vico na tela. Eita tecnologia boa! Tipo
“The Jetsons”... Desenho animado do meu tempo que mostrava as tele-ligações da época futura. Chegamos a ela! Falamos e nos vemos do outro lado do planeta, ou quase lá. Será que isto encurta distâncias? Será que isto resolveria problemas de amores a distância de antigamente? Porque no tempo das cartas, elas demoravam um mês pra chegar, quando pouco, uma semana, pra vir, mais uma semana pra ir e aí iam... “Tele-chamadas” devem ter lá sua colaboração na alimentação de relacionamentos à distância. Filhos longe dos pais, casai que se separam a serviço, namoros de verão pra subirem a serra... Será que serviriam pra reatar aquilo que o tempo e a distância separaram, um dia?
É, entrariam naquela parte que dizemos sobre Dedicar-se e Demonstrar o amor. Mas não acontecem sem o “D” da Decisão. Sem decisão, nada acontece! Decidir é querer ir!

3 de fevereiro

Quadragésimo oitavo dia - 3 de fevereiro

Sexta-feira. Dia de começar mais cedo o dia. Marcamos para as 6 da manhã para estarmos no serviço, para sairmos para o tal local. No total, foram mais de 12 horas seguidas de trabalho... De manhã e no almoço, fomos para o bairro e a tarde tive de acompanhar de novo no ônibus as crianças. Não deu certo! Escrever e ler, dentro de um ônibus em movimento, conferindo nomes, imagine o que deu... Enjôo... Recorri ao boldo numa das escolas, chá, mascar as folhas no trajeto todo do ônibus. Por fim, um comprimido pra passar o mal estar. Não sou nada a favor de me afundar no serviço. Sou bem ciente da necessidade de termos como fonte de realização e prazer noutras coisas. Mas, de certa forma, empenhar-me no trabalho tem me ajudado a fazer bem, alguma coisa que inicio, realizo e concluo, dentro de prazos certos. Nos meus papéis particulares, ainda há pendências a serem organizadas. Poucas, agora, mas ainda me esperam. Às vezes, tenho vontade de não ter nada, nada a organizar, planejar e cuidar. Mas é só um vento bobo que me passa. Sei que a vida assim seria fútil e sem rumo. É apenas cansaço! Não de agora. Acabei de voltar das férias. Cansaço acumulado de uma vida. Um tempo que me reservo de ter o direito de ter pra estar cansada de tantas coisas que levo. Pescoço duro. Papéis e m ais papeis... A falta que bombinhas nos fez. A mim e ao Gabri. Como fez falta! Foi novo e bom estar aqui, conhecer novas pessoas e re-conhecer a própria cidade. Não retiro nada do que escrevi todos estes dias! Não retiraria nada do que ganhei! Mas parece que aquele ventinho daquele lugar, que passa sem parar lá na beirinha daquele mar, quando a gente se senta de cara pras pedras, pra água, carrega tudo e tudo pra longe... Como um banho de alma... Leva embora o que nos é pesado... No revigora. E nos carrega a bateria pra tocarmos mais um ano... Aí, dependo dos papéis em ordem. Pois, quando finalmente estiver com “tudo sob controle” juro, boto uma mochila nas costas, de busão, de carro, seja do que fora, e vou lá passar um final de semana que seja! Seja no frio, no calor, como for! Se você e o Gabri toparem, vamos juntos! Não chego a me arrepender de ter vindo pra cá. Assumido mais gastos. Mas aquela conversa tua comigo, sobre viver com menos, mas com folga pra ir pra onde se que se quer tem vindo à minha mente ultimamente... Finquei raízes caras aqui! Que me prendem e me impossibilitam de sair andeira,como sou, por aí. E tenho medo disto! Raízes dão suporte, sim, eu sei! Mas não quero teias de aranha em torno de mim. Quero estar viva. Respirando o ar que me sustenta. Sol batendo em mim. Vento, vento... e o olhar perdido longe... sem limite, horizonte a frente, desimpedindo caminhos...

2 de fevereiro

Quadragésimo sétimo dia - 2 de fevereiro

Quinta-feira, o trabalho me consome...
Não deixa de ser ruim. Coisas a se resolverem no trabalho. Fui conhecer o tal local onde foram entregues duzentas casa a pessoas que oravam em fundos de vale e não tinham condições de moradia. São casas “meia-água” (divididas ao meio), com aquecimento solar sobre o telhado! Alguns apartamentos. É uma cidade a parte! Uma das crianças que acompanhei no ônibus, me falou que sua mão disse que o nome certo de lá é “Cidade de Deus”. Diferente da alusão que o nome pode parecer ter, é uma comparação à cidade que deu origem ao filme. Todas casinhas novinhas. Enfim, tempo de contraste. Como falei no dia de ontem, eu estava em ritmo de trabalho em meio turno. Agora, metade de meu dia localiza-se no meu trabalho...

Estas coisas me fazem ver, o quanto é preciso ter realização no que se faz trabalhando... É estressante, às vezes. Cansativo, mas tem que dar alguma realização. São muitas horas do meu dia lá! A minha válvula de escape até o início do ano passado era a corrida, a academia, suar, suar, suar... Botar pra fora o veneno nosso de cada dia. Ando meio perdida, sem ter onde despejar meu próprio veneno... Escrever, me ajuda. Mas são coisa bem particulares, as de ontem hoje e nestes dias em que escrevo sem ter nada de tão bom pra falar... São cartas pra você, apenas. Retrato de mim. Conversa entre nós duas. E sei que seria inútil eu tentar me colocar leve, colorida no papel (leia-se na tela), pois você me pega, certinho, como sou.De você, não me escondo. Você sabe bem de mim...

Foi mais um dia, apenas! E mesmo que a gente não ande lá muito com as próprias pernas, em direção a algo que intencionamos, o próprio vento se encarrega de soprar a vela, quando estamos incapacitados a ligar o motor, segurar o leme e impor a rota. Quem sabe, eu parando um pouco de adivinhar o destino, forçando caminhos, a nossa “Bússola” me leve aonde, de fato, eu tenha de chegar?

Acabei de falar com a Lele... Ela acabou de te levar à estação... Saudade sem tamanho de você...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

1 de fevereiro

Quadragésimo sexto dia - 1 de fevereiro

Escrevendo em bloco, não era o meu propósito, mas apenas para relatar dia-a-dia os últimos dias passados...

Dia 1 de fevereiro, quarta-feira, retornei ao trabalho. Oficialmente, pois eu já havia voltado pra uns servicinhos urgentes e inadiáveis. Pela primeira vez, depois de vinte e três anos de jornada dupla, tive parte do dia livre, desde setembro. A tal licença prêmio que é um dos privilégios de ser concursado. Ter direito a três meses de licença, a cada qüinqüênio, coisa que eu nunca havia desfrutado. Então, com tanta coisa a resolver numa jornada de dez horas diárias, decidi que era o melhor a fazer. E de setembro a dezembro, trabalhei só 6 horas por dia! Que privilégio... Agora, de volta ao mundo real...

Bem, devo ter ficado em torno de 10 horas e meia, direto lá, praticamente sem sair da cadeira. Um contraste para quem corria cerca de 50 a 70 km por semana. Isto tem me incomodado. Está difícil lidar com isso. O volume de serviço intenso, O bom é que ocupa a cabeça. Quando ela anda rodando por aí...

Sabe, querida, mal posso te falar alguma coisa sobre sobrecarregar-se. Não sei nem se sobreviveríamos sem isso. Mas estou numa fase transitória, refletindo sobre muita coisa. Ainda chego a algum lugar. E, espero, poder te falar de lá, se valeu a pena. Hoje, relato curto. Coisa que não curto: escrever para completar as lacunas de algo proposto e não cumprido. Dia por dia uma carta por dia. Mas como sei que me conhece bem, me lê nas entrelinhas, deixe lá tua mãe escrever por uma questão de tentar não perder a linha, a caneta, a tecla, a essência, o gosto, o prazer de escrever. Quem sabe, dedilhando, me reencontro e vou bebendo da seiva, de novo, daquilo que é das poucas coisas que me dá prazer e não dependo de outros e sim, apenas da minha capacidade de não perder a sensibilidade de ver a vida com meus olhos do coração, por mais que seja banal aos outros, escrever tanto e tanto, se tão pouca gente vai ler... Não me deixa perder a vontade de escrever? Me ajuda? Eu te amo, você e o Gabri, mais do que tudo na minha vida!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ate que enfim!

Ate que enfim!

Quadragesimo dia – 31 de janeiro

Coisa boa matar saudade!!!! Ver o rostinho de quem se ama, pela câmera e muito bom!!! E so nos falamos porque usei aquilo que sempre quisemos, demorou a acontecer, mas que e fato agora: morar perto. Tinha um intervalinho de uma hora entre o que eu havia acabado de fazer ate a consulta. Geralmente, enrolaríamos em algum lugar pra dar a hora. Ficavamos sempre direto, porque sempre moramos longe do centro e de tudo! No que eu decidi voltar pra casa, fui direto pro note... Telepatia? Pressentimento? Seja o que for, pus recadinho pra você no face e você estava la!!! Coisa boa ver você respondendo na hora, on line!!!! Ate que em enfim!!!

Carinha de cansada, você esta! Mas fica toda empolgada, mostrando coisinhas na tela que foram uma pechincha por ai! Pena que no note, não dava pra nos falarmos, eu te ouvia e você tinha de me ler. Mas na próxima, o problema já esta resolvido. Comprei, finalmente, o fone de ouvido para a gente se falar! Ate que enfim!

Bom ver que você não esteve tão sozinha e que na verdade, foi apenas falta de conexão. Que você se encontrou com outros da AIESEC e que esteve com a Leticia e outros brasileiros! Boas noticias! Ficara em Torun nesta semana, conectada (Bom!) e terá uma semana a mais tranqüila antes de embarcar de volta! Melhor! E assim, poderá visitar outros países!

Peninha não poder falar mais. O seu tempo e sempre bem curto, muitas coisas a fazer, dar conta quando consegue se sentar, conectar-se, ler e escrever. Então, muita coisa vai ficar pra hora que você voltar! E imagine que eu vou deixar você retornar ao Brasil e não vou te ver... Ate parece...

Bem, hoje mais respondo do que escrevo. Foi um monologo porque você falava e não dava pra eu responder a todo momento. Eu volto ao trabalho oficialmente amanha... Mais um mês pra você estar aqui... Saudade as avessas vindo, imagino quanta coisa você tem pra contar...

Somo pegou... Indo...
Boa noite, bom dia!
Beijo!!!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Decisões! Mudanças de rumos

Quadragésimo quarto dia – 30 de janeiro.

Enfim, tomamos coragem de optar por uma mudança: colégio do Gabri! Um namoro longo, muitos sins, muitos nãos e hoje, concretizamos a mudança. Não vou dizer que foi de todo tranqüila, segura. É difícil estar num lugar bem conceituado, hiper bem equipado, onde tudo corre na maior eficiência, primeiro mundo e optar pelo desconhecido. Base da decisão? Amizades. Aquilo que foi tão difícil pra você, passando todos os teus anos dos dez aos dezessete lá. E ele desde os dez até agora. Tenho uma segurança de estar fazendo a coisa certa pela carinha de felicidade dele ao saber que estará, finalmente com seus amigos mais chegados junto, todo dia, naquelas coisas de estudante nesta idade. Sei que quanto às outras coisas, não havia por que mexer! Mas, pensando no lado da tal “felicidade”, creio, não nos arrependeremos. E eu fico aqui com o coração apertado, com o medo de ter ou não tomado a decisão certa... Creio, este é o maior medo de uma mãe: errar nas decisões com seus filhos. Pois errar comigo mesma, não tem importância. Sou eu mesma que vou arcar com as conseqüências de minhas decisões. Mas errar na vida dos filhos e vê-los sofrer é um sofrimento em dobro!

Findado este episódio, me retraio, me recolho pra pensar... Quantas coisas têm de ser decididas... E não é fácil! A gente sofre, na véspera, sofre no dia, passa uns dias sofrendo depois, até que o tempo vai mostrando se acertamos. Até que acalmemos o coração! Isto ainda vai levar tempo. Mas algo me diz que ele será mais feliz assim. Com “menos” em coisas que considerávamos tão importantes, mas com muito mais em coisas essenciais. E isto, sinto, valerá a pena!

Tenho pensado tanto em você! Uma semana sem notícias tuas é demais! Sei que acabamos nos falando até mais do que o normal de Maringá! E ler suas impressões, o que você tem feito, pensado, sentido é prazeroso, alimenta, nos aconchega. Alivia o coração sedento de notícias, de estar perto, sossega a ansiedade! Imagino tua aflição, também, pois é a primeira semana que você fica tão isolada de contato com brasileiros, com tua gente, tua família. Espero que esteja começando uma semana mais “urbana” no sentido de ter conexão mais acessível! Mas também estou certa de que esta semana em local mais rural, fazenda, campo deve ter sido muito linda! Gente hospitaleira, casas aconchegantes, neve, lareira...

Querida, estou naquela de dar um passo de cada vez, ter medo de dá-los, medo de já tê-los dado, como se atravessasse aquelas pontes pencil com todo o cuidado e medo da ponte balançar demais e cair. Digo ponte pencil porque de cima dela, enxerga-se lá embaixo, os lados, ela balança, não disfarça os passos e qualquer precipitação reflete em ecos imediatos! Muitas vezes, não gostaria de ter de passar pela ponte. E, ao ter de passar mesmo, é mais fácil passar por pontes asfaltadas de concreto. Mas elas não permitem a visão de fora. O passo é cego. A passagem incerta. Não se sabe, exatamente, para onde se está indo. E a passagem faz parte. Necessária para passar de um local ao outro, mudar o rumo. Concretizar uma decisão! Com certeza, algumas pontes depois de transpostas, acabam caindo com o tempo e o retorno fica inviável. A não ser que se construam outras pontes no lugar. Passar por uma ponte implica em se saber que a volta não é garantida. Mas também não é proibida! Atravessá-las amplia o leque de visão! Alcançam-se outros vales, outras montanhas, outras vistas! De tudo, valerá à pena! Parto, então, deste princípio: atravesso para sentir o solo. Pois não adianta tentar vislumbrar do lado de lá, algo que só se sente pisando. E há sempre a chance de ser bom. Passagens é o ponto exato onde é permitido os extremos: o cume e o precipício, o fim e o início, o medo e a coragem, o tudo e o nada!

domingo, 29 de janeiro de 2012

“O tempo é o melhor remédio!” Alguém tem dúvida?

Quadragésimo terceiro dia – 29 de janeiro.

Estou indo para casa da Tia Any! De lá vou te escrever o dia de hoje! Coisas boas têm de ser comemoradas! Teu primo Andre começa uma nova fase! Passou em Veterinária na UNOPAR de Arapongas. Podia ser melhor? Nem sairá de casa, não precisará ir e vir todo dia, nem morar fora de casa! Provavelmente, se tivesse passado na época, estaria cursando Engenharia... E estaria em outra cidade, assim como você! O tempo, definitivamente, prega peças, conserta coisas, indica os melhores caminhos! Nada melhor do que o tempo. Sabedoria antiga e popular: “O tempo é o melhor remédio!” Alguém tem dúvida?

Dia de resgatar coisas! Tempo de se recolher, para depois florescer!

Quadragésimo segundo dia – 28 de janeiro.

Sábado... Dia de resgatar coisas!

Veja só! Pra variar, estou me embrenhando numa nova armada! O Encontro da Turma de Educação Física! Face não serve só pra “vadiar”, perder horas e horas sentada, conectada à rede e desconectada do mais próximo, ao lado... Opa! Lógico que não! Ferramenta das boas pra localizar gente, cavucar o fundo do baú, articular encontros, eventos e talz! Bem, olha só!

Depois de acha daqui, combina dali, combinamos eu, Sartori (Rosi de Rolância) e Wander (de Curitiba) de nos encontrarmos no sábado no Mufatto pra uma reunião. Uma prévia pra pensarmos no encontro! Coisa boa demais!!!! Imagina: entramos na EDF/UEL há 27 anos atrás!!! É mole? Formamos há 24 anos!!! Naquela época o curso ainda era de três anos... Não era à toa que tínhamos cinco aulas todos os dias, sem dó, sem intervalinhos, sem enrolações, sem eira nem beira! As aulas começavam às 19h e terminavam às 23h15, pontualmente! Nada de poder sair mais cedo, pois geralmente tínhamos aulas picadas, 2+1+2 e por serem práticas, não tinha como matarmos, sair de fininho... Era assim: onze quinze da noite, saindo de lá. Quando não era natação, ou aquelas aulas que era obrigatório um banho antes de ir embora... Saindo de lá passado das onze e meia... Tempo suado, mas tempo bom!

Bem, muitos anos sem nos vermos, ele mora em Curitiba há uns onze anos. Ela sempre foi de Rolândia e continua lá. Pusemos a conversa em dia. Lembramos um monte de arte que aprontamos. Cada cena que eu nem acreditava! Cada coisa bem de universitário, relembramos nomes e nomes pra acharmos por aí e programamos o que fazer. Marcamos para o dia 3 de março! Pensamos em fazer numa chácara, levar família, passar o dia! Será mais uma coisa pra eu me envolver até o pescoço... Mas nem gosto disso, né?

Então, no almoço, passei na casa da Irene! Outra coisa boa! Resgatar uma velha e grande amizade! Tipo: porto seguro pra passar e aportar! Amizade certa, ainda que tenhamos nos afastado tanto por causa do momento em que vivemos! Passei a tarde toda ali, pondo a conversa em dia, alimentando a amizade. Porque, de fato, é isto que fazemos. Alimentamos quando dedicamos tempo às amizades. E deixamos de regar a flor quando nos afastamos. Dependendo do tamanho da raiz, o quão profunda ela foi plantada, sobreviverá aos tempos de seca. Entenderá que apesar do tempo, da falta de alimento, é profunda e não se afetará aos ventos e tempestades. Se for plantada com descuido, se não tiver as raízes aprofundadas, se as raízes se espalharem apenas superficialmente no solo, é certo ela tombar e morrer. Só o tempo mostra as amizades que permanecerão. E resgata aquelas que pareciam estar secas, sem folhas, mas que apenas reservavam sua essência para uma nova florada! Muitas vezes, os galhos têm de secar, perder as folhas, parecer que morreram para só então porem toda sua energia pra fora, na forma de novas folhas verdinhas, flores e externar toda sua beleza!
Tempo de se recolher, para depois florescer!

Querida, estou de saída para a casa da Tia Any! Vamos almoçar juntos pra comemorar o ingresso do Andre no curso de veterinária! Depois continuo te escrevendo...

Te levo junto comigo lá. Pois você nunca está longe da gente, nem nós de você!

TRABALHAR NAQUILO QUE SE GOSTA. Ou... GOSTAR DAQUILO EM QUE SE TRABALHA! Pergunto: é diferente?

Novamente postando em bloco… Não era a intenção. Mas com uma conexão meia-boca e retornando antes do previsto ao trabalho, foi o Jeito...
Bem, vamos lá!

Quadragésimo primeiro dia – 27 de janeiro.

Sexta-feira! Voltei antes pro trabalho! Não estava programado, mas estava dentro das possibilidades. Para quem não tinha muita pretensão de ter férias tão divertidas como foram, entrou em férias contrariada, porque não costuma pegar mais trinta dias corridos e planejava pegar apenas três semanas, voltar antes era uma possibilidade. Mas depois de ter passado férias tão surpreendentemente boas, sem sair da cidade, deu até “dozinha” de voltar. Menos mal por ter tido uma última semana cinza, chuva, frio... Enfim, primeiro dia de retorno e 12 horas ininterruptas de trabalho!!!! Mas nem doeu!!!! Gosto do que faço! Você sabe disso! Isto é o diferencial! TRABALHAR NAQUILO QUE SE GOSTA. Ou... GOSTAR DAQUILO EM QUE SE TRABALHA! Pergunto: é diferente?

Bem! Naquelas tantas frase feitas que as pessoas adoram tanto postar nas redes, que traduzem um pouco da linha de pensamento de cada um, há uma parecida com isso. Tipo: “O importante não é fazer tudo aquilo que se gosta, mas gostar de tudo aquilo que se faz!” Válido! Porque nem tudo é alcançado. Ainda que acreditemos que não há impossíveis. Há etapas para se alcançar o que se busca e quando o último estágio ainda não foi concluído, pode ser que no meio do caminho, se descubra que há valor, prazer e realização no meio do caminho, em etapas anteriores e nem se precise chegar ao fim. Depende! Mas é uma possibilidade... E por isso, é tão importante gostar de tudo aquilo que se faz. Porque, falar sério, fazer algo de que não se gosta é horrível! É incoerente, indigesto, repugnante, nada autêntico, “inverdadeiro”. Peça para eu assistir um BBB... Posso até me calar numa sala onde tenha gente assistindo, em consideração a quem está assistindo, porque segundo minha irmã, já dei meus bolas –fora nos meus tempos “mais pimenta” em “meter a boa” diante da TV ligada, quando tinha gente assistindo um programa que eu abominava... Maturidade vai ensinando a calar pra respeitar... Mas nunca pra se render ao que não se comunga! Respeito às opiniões diferentes. Ser flexível para mudar quando necessário. Mas se manter firme e inabalável quando se trata de valores, de enxergar manipulações de pensamentos e banalizar comportamentos um tanto, diria, duvidosos! Mas este não é o foco de hoje!

Trabalhar - leia-se fazer - aquilo que se gosta ou gostar de tudo aquilo que se faz! Boa pedida! Não? Querida, te pergunto: está feliz? Está gostando do que está fazendo aí? Tem aprendido coisas? Tem “inchado” tua bagagem invisível? Então, está tudo certo. É o que realmente importa! E te digo: PRECISA OUSADIA PARA MUDAR RUMOS! Precisa ter opinião para perceber e decidir mudar aquilo que não nos realiza! Sair da zona de conforto, nada confortável do seguir empurrando... Continuar no fluxo, na correnteza, sem reassumir o leme do navio, os remos do barco ao se perceber lugares pra se parar, ou outro afluente pelo qual se quer ir. Imagino que você esteja de corpo e alma na Polônia! E creio que esteja ocorrendo uma big digestão em você de tudo do que se alimentou aqui no Brasil nos últimos anos... Então! Coragem! O leme de tua vida está nas tuas mãos! Tua bússola, você sabe, é DEUS! Mas segurar o leme cabe a VOCÊ! Vai chegar o tempo de decisões... Fique tranqüila. Os passos tomam uma direção, mas a todo tempo é possível mudá-los. Roda-se mais quando se erra. Lembra? Quase em Antonio Olinto, perto de União da Vitória, quando se queria ir pra São Bento do Sul, Santa Catarina... Sessenta quilômetros! Mas sempre é possível pegar um retorno, rodar de volta, achar o caminho de novo! Novas cidades. Novas paradas! A vida fica mais rica quando a gente se permite sair do estado de estagnação, ousar vôos, ousar por o pé na estrada, abrir trilhas na mata, permitir-se o novo! E, se o caminho a ser seguido é a opção de continuar no caminho percorrido até então, pode ser que seja porque você descobriu razões que desconhecia! Porque enxergou o que não via! E viu que estando onde está, são inúmeras possibilidades de você alcançar o que quer e valoriza! Veja: estamos nós duas em situações opostas, mas passamos pelas mesmas experiências, em contextos diferentes! O velho e o novo oferecendo experiências novas. Depende mais de nossos olhos, do quanto abrimos o coração, do que propriamente do cenário. Caberá a você sentir... Ouvir-se... E decidir... E eu estarei sempre e pra sempre do seu lado!

Te amoooooo!!!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Caixinha de pedrinhas e conchinhas

Quadragésimo dia – 26 de janeiro.

Virou a dezena de novo! E isto dá um calafrio. Dias passando... De novo aquela saudade às avessas. Sinto por você. Imagino que não deva dar vontade vir embora! Por mais que você goste daqui, tenha a família, amigos e amigas, vínculos... Somos meio do mundo afora, mesmo! Pés que não se instalam, assim, tão definitivamente... Pés que gostam de buscar caminhos novos, experimentar poeira nova! Gostamos de sentir cheiros não experimentados, cores que explodem diante de nossos olhos, burburinhos desconhecidos, idiomas que nos encantam...
Tenho certeza de sua da sua saudade e do seu amor por mim, por nós. Estou certa do quanto você deve sentir vontade de colo, conversa até tarde enroladinha na mesma cama, passear à toa por ai de mãos dadas, cantarolar na cozinha enquanto fazemos comida, nossas lasanhas de dois molhos, o branco e o vermelho, do meu yakissoba que você já aprendeu a fazer (já fez aí?), de viajarmos no carro, ouvindo “música de viagem” (nós sabemos quais!) com as janelas escancaradas pra tomarmos vento... De estar com a família toda reunida, os Saitos, os primos jogando bola tudo junto, comer sashimi e sushis do Kadu, ver a tia Any cantando no videdokê com o Ed, as tias, primas. Por isso, esta saudade às avessas é estranha! Porque é um estar chegando um tempo que encerra uma temporada num lugar tão difícil de voltar.

Creio que é coisa minha e não deixa de ser tua também, pois temos uma sintonia em tanta coisa... Mas a contagem regressiva me incomoda! Contar dias de trás pra frente, anunciando que o dia do final de algo vem chegando não é algo que eu goste nem um pouco! Nunca gostei de partidas. Despedidas soam a “nunca”. E esta nossa natureza de ser andeira e viajeira nos faz nos apegarmos ao “novo” que conhecemos e absorvemos por aí! Mais da metade já foi! E imagino como uma caixinha que você tenha levado pra ir colhendo pedrinhas e conchinhas... Cada qual com uma particularidade que te chamou a atenção, por uma cor mais viva, um formato que se encaixa, uma forma que te lembra algo, ou local especial. Quando criança, colhemos conchinhas na praia e fazemos coleção por algo especial! Porque são formas, tamanhos, cores que gostamos, que nos atraem. Guardamos até que um dia não seja, assim, tão importante mais tê-las. É a forma inocente que temos de levarmos conosco, um pouquinho do mar... Um pouquinho do caminho... De manter, um pouquinho mais, a sensação tão boa sentida. Pra amenizar a saudade futura...

Filha, colha todas as pedrinhas, todas as conchinhas! Não faz mal trazê-las, não! O tempo se encarrega de te trazer de volta as coisas que te foram importantes no caminho! Pode ser que a forma como virão não sejam, exatamente, como você imagina. Mas as coisas mais importantes e colhidas no caminho, sempre estarão com você! O melhor de termos cruzado com pessoas que nos marcaram pelo caminho e não as termos mais conosco é a certeza de que o invisível define um pouco o que é mais importante. Se tivéssemos de por numa prateleira aquilo que mais apreciamos e nos são mais preciosas, teríamos um problema sério de espaço e teríamos de economizar na nossa colheita. Já imaginou? Querer levar lembranças e ter de passar pela alfândega e uma luzinha vermelha indicar que você já passou da sua cota e ter de deixar pra trás aquilo que já mora em seu coração? Isto acalma a saudade. Pois não pesa, não ocupa prateleiras, não precisa ser economizado. A colheita é próspera para quem é generoso e não apita indicando excesso. Que bom!

Gostoso é escrever o que vai cá dentro, na hora! Acumular escritos é ruim. Ficam com cara de “cumprindo o calendário”. Sentimentos e desejos fluem... Até acontece de vir uma palavra na mente e querer escrever sobre isso, antes mesmo de me sentar. Mas quando flui na hora, como agora, é bom demais...

Vou dar uma pausa. Volto pros papéis, pras contas... Faz parte! Necessário pra organizar o que virá! Quero ler seu diário... Atualiza???

Beijo...

“Por onde seus pés andam” são caminhos infinitos...

Trigésimo nono dia - 25 de janeiro.

Papéis e mais papéis...
Dia de por a papelada em ordem. Pra não falar as contas... que senão vira lenda... Bastante coisa colocada em ordem, mas há algumas ainda para por. Dia 25, na verdade, foi ontem. Deixei acumular três dias. Não gosto disso! O meu propósito dói de escrever uma carta por dia. Mas a conexa tem estado tensa aqui... com isso fiquei no meio da papelada e, sem conexão, não em animei a postar!

Mas esta parte é um “estresse” necessário. Uns dos meus posts antigos no CLICS falavam sobre isso.
http://clicandoeconversando.blogspot.com/2010/12/cartas-que-escrevi-pra-poder-voltar.html
http://clicandoeconversando.blogspot.com/2010/12/arrumando-gavetas_04.html
Sobre ser necessário este tempo de por em ordem contas, papéis, gavetas, pra poder seguir. Pra poder voltar a sonhar e realizar sonhos! No dia que conseguimos falar um pouquitito na Skype, te mostrei coisinhas que andei fazendo em casa! Adoro isso e você sabe o quanto... Pendurar enfeitinhos de porta, daqueles nossos, comprados a dedo em Bombinhas. Lembra? Procuramos, procuramos até achar aqueles feitos de material natural, estopa, pau de canela e bonequinhos de palha de milho. Lembra quando te mostrei o enfeitinho da nossa porta do velho “ap” que tinha apenas três pessoas e que eu não havia colocado ainda, pois não incluía o Marco? Pois, então! Adaptei os dois enfeitinhos que tinha para portas e o bonequinho do outro enfeite foi “adicionado” ao oficial. Agora ele faz parte! Somos quatro pessoas dando boas-vindas na porta! Pois você pode morar em qualquer lugar do planeta, ter sua casa instalada mundão afora, mas terá sempre seu lugar garantido em nossa porta! Pois meu lar (disse MEU LAR!!!) é minha família e isto inclui sempre e para sempre você. Não importa onde estiver! Quais lugares forem o de chegada. O de partida é sempre aqui. O retorno ao seu porto seguro, seu ninho aconchegante sempre e sempre será aqui! Como você mesma diz, “por onde seus pés andam” são caminhos infinitos. Mas seu coração tem locais certos de moradia! São os corações de todas as pessoas que você cativa em seu caminhar. Por isso, você tem inúmeras moradas! Pois vai semeando amor e colhendo amor. E isto te faz uma caminhante, uma semeadora de sonhos, tal qual você leu nos livros de Augusto Cury.

Bem, vou ver se consigo aproveitar a conexão momentânea e postar os atrasados...
E já começar o outro!

Beijo, colo e petit gateau! Ahhh, experimenta um petit daí e depois, me diz se é bom!

Excesso de bagagem que nunca é excesiva!

Está difícil postar com esta conexão problemática...


Trigésimo oitavo dia – 24 de janeiro.

Sem conexão...
Conseguimos nos falar pela Skype, depois de uma eternidade. Talvez, uma semana, ou um pouco menos. Mas é que a velocidade de hoje deixa a gente um pouco mal acostumado. Tudo o que ser quer, se quer pra já. E, se no começo, pensava que iríamos nos falar esporadicamente, quando você embarcou, porque sabíamos que você teria dificuldades de aceso em viagem, depois, com as facilidades do início nos acostumamos a falar todo dia e até ao vivo! Agora, faz falta...

Escrevo pelo post de ontem. E já que ontem, nos falamos, falar disso... Vi o quanto estava cansada. Com sono. Mas imagino que mesmo assim, esteja deslumbrada com tanta informação em tão pouco tempo. Vi você conversando fluentemente com sua professora. Que delícia ver você assim! Pondo em prática a base que teve na escola da quarta série, a Escola Evangélica, onde teve contato com estrangeiros e filhos de missionários que só falavam outra língua, no caso o inglês e que para estudarem, tinham o intérprete na sala. Foi um tremendo privilégio aquele ano, se pararmos para pensar! Eram dez crianças na sua turma, uma aluna que falava em inglês e uma intérprete. E você tinha aulas uma vez por semana pela manhã onde só era permitido conversar em inglês. Com nove anos e toda a facilidade para aprender, típica desta idade, você aprendeu bem e por causa desta base, saiu-se muito bem para conversar nesta língua em toda situação pela qual passou. Incrível, porque se for pensar, foi tão pouco tempo de estudo. Mas acredito que eles sabiam exatamente COMO fazer: pela prática! Em atividades corriqueiras de preparar cokkies, um chocolate quente, um marshmalow... Bem diferente das aulas monótonas de ter um livro em mãos e fazer exercícios repetitivos, sem conversação, sem motivação.

Bem, não sei muita coisa da sua nova cidade. Também, não deu pra saber quase nada da cidade anterior. Pois você não postou mais nada no blog. Só deu para identificar bem a primeira semana. O que deu pra saber foi sobre a surpresa quando chegou quanto à idade de seus alunos... Acostumada a falar para adolescentes e jovens a partir dos 15, 16 anos, foi surpreendida ao se deparar com criancinhas a partir dos 5 aninhos!!! Uma das coisas que me falou foi de como gostaram de beijocar você! Nesta idade são espontâneos, são carinhosos e imitam! Se um puxar a fila pra beijocar a figura nova na sala, pode esperar que formam uma fila pra fazer a mesma coisa...

Creio que esteja sendo apaixonante experimentar tantas coisas tão diferentes. Deveria ser direito de todos passarem por algo totalmente fora do seu habitual. Inclusive, antes de ingressar na faculdade. Para enriquecer a experiência do estudante nesta faixa etária e lhes dar visibilidade maior das tantas coisas a se fazer, mundão afora... Tenho certeza de uma coisa: você não voltará a mesma! Impossível voltar do mesmo tamanho!!! Certas coisas inflam dentro da gente! Conhecimento é uma delas. Uma vez adquirido, estufa no peito e precisa ser dividido. Não para ser exibido. Mas para ser compartilhado. E ESTA BAGAGEM você trará num excesso de peso saudável, sem ser excessivo!

Bem, a conexão esteve com problema de novo. Tentei, tentei e nada de conectar! Então, já tenho acumulado três dias para postar. Paro por aqui e começo o outro!

Saudade!!!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

FEED-BACK DE NOSSO DIÁRIO!

Trigésimo sétimo dia – 23 de janeiro

Saber a hora de carregar as pilhas… Hoje, vou ter de entregar os pontos... O sono pesa nos olhos. (Quase!) Total impossibilidade de escrever! Hora de carregar as pilhas... Explico:

Na filosofia “Faz de conta que estou na praia!” estive todo este tempo agindo como se estivesse em férias lá longe, despreocupada com horários, rotinas e o previsível. Horas de sono não respeitadas que, agora reivindicam seu espaço... Então, vale fazer um feedback divertido, passeando nas palavras que escrevi até agora. Quer ver o que dá?

Grata surpresa a minha, ao enxergar AS COISAS MAIS IMPORTANTES, aqui mesmo, bem adiante de meu nariz, lógico, destas tantas está tudo, MENOS GIOVANA QUE ESTÁ NA POLÔNIA! Abri-me aO NOVO estando no velho, reforcei nosso princípio de que ATENDIMENTO É TUDO, pois tratar bem e fazer o melhor ao outro sempre nos assegura que O RAIO DE ABRANGÊNCIA QUE TEMOS É PROPORCIONAL AO TAMANHO DE NOSSOS SONHOS POSTOS EM PRÁTICA. Coisa própria de quem cultiva com MAESTRIA a vida e afaz de cada dia um PREFÁCIO DE QUEBRA DE PARADIGMAS, reinventando a saudade, criando a SAUDADE ÀS AVESSAS... Faz-me ver: PORTAS NOVAS – NOVOS CAMINHOS, pois aprendi a ler nas entrelinhas, a respirar e estar ENTRE PARÊNTESES! #PAUSA!# é como se lê a parada que ensina: NADA, NADA É POR ACASO!
Estas coisas que venho, então, aprendendo mantém acesa a nossa LUZINHA DO “ON” faz de nós, eternas DESENHADORAS DE SONHOS!

A via ensina! E mostra que OPOSTOS não servem apenas para contrariar, mas para complementar... Então, vou me pondo a relembrar cenas: NOSSOS RITUAIS, as FRASES DA GENTE nossos pequenos costumes que faz cada uma de nós, ser uma MARATONISTA DA VIDA, NO PÓRTICO DA VIDA! Coisas poucas, coisas bobas, nossas brincadeiras no carro como o “Costura-Palavra”, a LETRA "G" DE CATCHUP nos nossos tantos lanches montados em cada VIAGEM PRA ONDE o coração quisesse nos levar!
Todas estas tantas coisas me fazem ver: a vida é escrita em RETICÊNCIAS... Não pára nunca, enquanto a vida não parar! Por isso, é tão importante seguir RE-DESCOBRINDO A TERRINHA... Pois A MELHOR VIAGEM E FEITA PRA DENTRO DE SI MESMA e não adianta avançar km e km à frente em lugares maravilhosos se a busca do que se procura está cá dentro...

Nosso PAINEL DE FOTOS são clics capturados do que passamos e o presente, melhor que o passado e o futuro. ON LINE É MELHOR QUE OFF... PORQUE FALAR AO VIVO, É MELHOR DO QUE RELATAR O QUE PASSOU E PERDER O AGORA ACONTECENDO...

Querida, somos o que podemos ser. A opção é nossa a cada dia. Podemos ser BÓIAS que ajudam, amparam. Ou passar a vida toda afundando outros que nos pedem socorro! E não ter a vergonha jamais de TENTAR-ERRAR-TENTAR-DE-NOVO-E-ACERTAR: SIMPLES ASSIM. E buscar com os OLHOS NO HORIZONTE, PÉS BEM APOIADOS NO CHÃO aquilo que preenche o coração! Pra aprender que a SAUDADE LAPIDA O AMOR... Que O APÓS ensina a ver com humildade os ensinamentos dos erros, dos choros dos acertos. Assim como quando brincamos de falar que HOJE É DIA DA DONA ESTELA, ao nos lembrarmos dela em pequenos gestos, ou manias dela! E cada nova coisa é nova cor. E assim, vamos PINCELANDO CORES!
Vês? CROSSING THE SEA (PORQUE VIVER É UMA TRAVESSIA POR MARES), é nosso maior aprendizado. Temos medo, não enxergamos o fundo, mas não paramos!
E ao compreendermos que o verdadeiro natal é um NATAL DO INVISÍVEL, compreendemos que É REAL aquilo que não se vê!!!
E esta brincadeira de fazer de conta que hoje é DIA DE PRAIA! FAZendo DE CONTA QUE ESTAMOS EM BOMBINHAS me ensinou a ver que, muito mais do que o lugar onde estamos, importante é ser o que somos, o melhor de nós a cada dia!
Não é por acaso, minha filha. É DE PROPÓSITO! Deus realmente faz as coisas de propósito em nossas vidas! A CAIXA DE LÁPIS DE COR DE INFINITAS CORES está em nossas mãos. Para escrevermos ou desenharmos VINTE E UM PAPEIZINHOS... E OUTROS BILHETINHOS MAIS. Para jamais deixarmos de falar a quem amamos que amamos! E mantermos acesa a chama que nos faz sempre ter a certeza, em cada partida que o amor ultrapassa fronteiras, POIS QUEM AMA E FICA, NUNCA FICA DE FATO SÓ. E QUEM VAI, NUNCA SEGUE SOZINHO!

sábado, 21 de janeiro de 2012

As coisas mais importantes

Trigésimo sexto dia – 22 de janeiro
Querida...

As coisas mais importantes, hoje sei, são tão transparentes, invisíveis. Mas intensamente visíveis e claras aos nossos olhos. Quanto mais me deixo levar no curso normal do rio, menos imponho meu remar, mais admiro o navegar, posso olhar em volta, enxergar as cores do agora, o cheiro, a garoa fina que respinga do rio, o barulho da água e a sensação que invade meu corpo. Precisou passar muita água debaixo de meu barco para eu deixar de remar contra a correnteza! Forçar paradas em lugares já pisados em terra e tentar, inutilmente, permanecer em portos que ficaram para trás. Hoje, sei: o tempo estabelece tempos. Tempo de parar, tempo de seguir, tempo de parada em cada porto e tempo de deixar o porto...

Fomos ensinadas a remar, remar e remar. Somos uma família de mulheres fortes! Muitas mulheres. Poucos homens. Que apenas na sua geração retornaram em número maior do que de mulheres. E não aprendemos a descansar. Não aprendemos a parar e apreciar. Com isso, ouvíamos bem o nosso compasso, mas muito pouco o passo ao lado. Falamos muito, ouvimos pouco, fizemos demais, abafamos quem poderia ter feito e realizado conosco. Dura sentença? Não! É apenas uma constatação que acode em tempo, tanto espanto, tanta andança e “fazeção” de coisa! A bandeira de “tudo fazer” foi carregada como se fosse sinônimo de responsabilidade e eficiência. E arrogância misturou-se a sabedoria. E quisemos ser ONI-tudo! Onipotente, onipresente, onisciente. Em suma: DEUS!

Mulher tem destas coisas! Abraçar para si a responsabilidade por tudo ser, não ser, por tudo dar certo, ou errado. Quer fazer tudo, estar em todo lugar, saber tudo ou, pior: pensa que sabe de tudo, acima de todos... Não é que seja pretensão ou maldade. Mistura-se com a tal responsabilidade. A vontade de fazer tudo dar certo. De proteger, de zelar pela família, de consertar casamento, marido, filho, empregada, trabalho, o dono do mercado, os preços altos, os vizinhos, a escola do filho, o próprio corpo que nunca está do jeito que quer. Eterna questionadora, sempre inconformada com o que não concorda. Briga até o fim pelo que acha direito. Defende vorazmente seus entes queridos. Sua, corre, canta, encanta, multiplica seus braços para poder abraçar todas as coisas que quer fazer ao mesmo tempo. Pensa que dará conta de tudo. E, às vezes, sucumbe! Surta, adoece, se deprime, chora, perde o marido, o namorado, o emprego, a diarista lhe dá as costas e os canos, ouve respostas mal educadas, ou recebe olhares irônicos, perde reuniões da escola do filho, percebe burburinhos com seu nome, fragmenta-se, cai do barco, quase se afoga.
Então, passamos por um redemoinho de sensações! Não sei exatamente se mais se parece com um furacão, no qual caímos dentro e onde rodamos, rodamos perdidas sem eixo próprio e tonteamos ou se é um furacão cá dentro de nós, que varre tudo, todas as nossas tão bem elaboradas estruturas, nossos tão bem estabelecidos conceitos, os móveis são todos desarrumados, tudo posto fora do lugar e pra fora. Derruba nossas certezas! Ficamos atônitas! Não reconhecemos mais o lugar de onde viemos. Ou seria certo dizer que nossas vendas que nos cegavam são, finalmente, retiradas de nossos olhos para, só entào, enxergarmos as coisas como, de fato, elas são?

Fico com a segunda opção! O que vivo neste momento justifica meu pensamento! Tudo sempre esteve bem claro. Eram meus olhos que não enxergavam! E meus braços teimosos insistiam em remar quando já não era mais necessário. Hora de aportar! Descer a âncora. Pausar! Energia despendida à toa, prosseguir! O rio sabe bem a hora de correr em forte correnteza, de passear em calmaria, de dar porto seguro e de levantar a âncora e seguir! As coisas mais importantes são sempre visíveis a quem quiser ver. Basta ter olhos atentos, humildade para saber que nunca se sabe tudo, que a vida ensina e que, muitas vezes somos nós que erramos o caminho e não o contrário! Quantas vezes pensamos que a vida é cruel e injusta conosco. Que perdemos pessoas, amores e que o passado retém as melhores coisas, o melhor tempo da gente, os capítulos mais importantes de nossas vidas? Melhor, mesmo, é o tempo presente! Viver o que se tem no hoje é a sábia decisão de quem caminha com os pés no chão. Não se trata de desistir de sonhos. Mas de saber diferenciar o “sonhar” do “viver o sonho”. Perseguir sonhos é tão belo como saber reconhecer o sonho que temos nas mãos. Não com a vestimenta que insistimos em por, com os nomes e itens que nós achamos imprescindíveis, mas com a cara e coração que nos surpreendem e nos conquistam a cada dia.

Permitir-se encantar-se com o simples, o trivial, o diário é um ato tão ousado quanto sair em busca de coisas fenomenais por aí afora! É repaginar a própria vida. E dar ao olhar uma nova chance de enxergar o que não se via. E ao coração, a nova chance de amar. Livre de rótulos, livre de cordinhas presas ao passado, livre de sombras e medos que não pertencem a este tempo. É, finalmente, jogar pesos desnecessários da embarcação. Deixar em cada porto, o peso seu. Para seguir leve...

Tenho certeza que me compreende...

Menos Giovana que está na Polônia!

Trigésimo quinto dia – 21 de janeiro

Soube do meme “Menos Luiza que está no Canadá”? Ahhh... A internet tem destas coisas! Em segundos, de uma hora pra outra, o desconhecido vira conhecido e cai na boca de todo mundo em forma de “meme”. Ou: Tudo aquilo que se torna celebridade na internet de forma instantânea. Tem noção?

Bem, na história de ”Menos Luiza que está no Canadá”, de maneia não proposital, numa propaganda de um condomínio, seu pai utilizou uma frase para apresentar a família que teria ido conhecer o empreendimento, menos ela – a Luíza – e falou a tal frase... assim como tantas frases que correm a internet, esta pegou! E correu as redes sociais... Mas... O que faz algo virar meme?

Não há receita! O que torna algo meme é, ao meu ver, a curiosidade, algum diferencial em um vídeo, seja por ser engraçado, irreverente,bobo, às vezes, algo totalmente inusitado! Quem não ouviu falar do “que dó, que dó da formiguinha”? Que faz com que nós, no dia a dia, ao exclamarmos um “Que dó!”, imediatamente nos lembremos da formiguinha?

Interessante é perceber a rapidez com que se propagam as coisas nos tempos de hoje. A paciência tem a duração de um clique! E ai da “ampulheta”das telas se demorarem para mudarem a janela, obedecerem o comando, entrar, ou sair de onde queremos estar. Tudo é rapidamente lembrado e, na mesma proporção, rapidamente esquecido...

Voltando à Luiza, ela retornou do Canadá! E nós todos estamos aqui. Todos não! Menos Giovana que está na Polônia! Foi em busca de um sonho seu. Volta logo, eu sei. Mas, longe de se parecer com a história de Luiza, não seria difícil saber seu paradeiro ou algo parecido, pois até o blog eu criei para escrever cartas a ela e ela, ao mesmo tempo, criou o seu blog para ir contando tudo sobre sua viagem. Diferente, beeeeeeeeeem diferente da história de Luiza, nós fizemos diferente! Contamos pra todo mundo ver, nossas cartas, nossas conversas, pois sabemos que de alguma forma, as pessoas que lêem, identificam-se, pois vivem momentos parecidos conosco, compartilham as emoções, torcem e vibram a cada episódio, lêem, riem, choram e se divertem com as aventuras no blog “Diário de Bordo” e acompanham minhas cartas pelo “Diário de Porto”. E tem mais! Não poderia dizer a frase, com toda sinceridade. Pois por mais que ela esteja lá de corpo e alma, para nós que ficamos, ela permanece aqui. E só poderia ser correto dizer assim: ”Menos a Giovana que está na Polônia, mas que está conosco aqui, o tempo todo, em pensamento”...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O novo!

Trigésimo quarto dia – 20 de janeiro
Interessante! Temos o costume de achar que para acharmos o novo, temos de sair pela porta, estrada afora, ultrapassar fronteiras em busca do desconhecido. De fato, adoro conhecer novos lugares. E não pretendo deixar de fazer isso! Mas quando falamos de novas pessoas, incrível como podemos conhecer pessoas tão próximas da gente, estando na própria cidade, tão perto da própria casa. Vou explicar!

Todo ano, costumamos viajar e ficar, se possível, o mês inteiro fora. Grande parte m Bombinhas que sempre comento ser meu lar de verdade e depois, passando por casas de amigos no meio do caminho, principalmente me Jaraguá do Sul, onde sempre visitávamos uma amiga minha. Com isso, nunca estava em Londrina nas minhas férias. Este ano foi diferente! Férias inteirinhas aqui, na minha terrinha e... Que surpresa boa! Ganhar novas amigas vizinhas de apartamento... Quer ciosa melhor?

Quando paro pra pensar sobre coisas assim, vejo o quanto as oportunidades estão passando adiante do nariz da gente... Dia a dia cruzamos com pessoas que não conhecemos. Algumas nem olhamos, outras, cumprimentamos, outras puxamos conversa! Eu, particularmente, sou mais do tipo da terceira opção! Puxo papo mesmo!!! E isto me rende novas e boas amizades!!!

Ainda vou explicar melhor isso, mas só pra adiantar, posso te dizer que fazer novas amizades, deparar-se com o novo, não precisa estar estritamente ligado a sair de casa! Querendo, a gente faz o novo na própria casa. Descobre pessoas, novas coisas a se fazer, novas paixões e até mesmo o amor bem diante do nariz... E sem por o pé na estrada, fazemos a tal viagem que tantas vezes fazemos, tantos fazem por aí, que roda, roda e que busca-se mesmo, aquilo que se encontra ali, bem dentro da gente mesmo... a viagem interior...

Deus foi muito bonzinho comigo! Sem grana pra viajar, eu e tantos que optaram em investir na casa nova, fomos “obrigados” a passar as férias em casa mesmo. Digo e friso: em casa mesmo! Sem nem sair de casa, do muro de casa. E, pasme! Conhecendo novas amizades, pude ter o prazer de ter, hoje, novas amigas que moram do ladinho de casa. Coisa boa... E poupar sola de sapato, pneus e tostões em viagem, reabastecendo a energia que se busca nas férias aqui mesmo... A viagem interior pode ser sem por o pé na estrada. Querendo, o novo é encontrado no velho lugar de sempre! O que tem de ser novo e renovado é nosso olhar. Pra enxergar tanta coisa nova, boa ao nosso arredor!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Atendimento é tudo!

Trigésimo terceiro dia – 19 de janeiro

A frase te é familiar? Se é!!!! Como usamos isso, não, filha? E o quanto ela significa e revela...
Toda vez que precisamos lidar com alguma coisa, onde temos de ser atendidas, temos esta “mania” de prezar pelo atendimento... Fosse frescura, apenas, de nossa parte, não haveria tanta influência em resultados práticos. Atendimento é tudo, sim!!!!

Já estive em estabelecimentos bem conceituados em seu ramo, onde fui mal atendida e preferi sair e procurar outro estabelecimento concorrente, só por não concordar com a maneira de ser tratada. Já deixei de comprar produtos, pelo mau atendimento, a cara de pouco caso, a falta de conhecimento, o desinteresse e descompromisso do vendedor. Já parei para abastecer e saí de posto de combustível que anunciava um preço, mas que omitia as formas de pagamento aceitas naquele valor, por não achar correto anunciar em letras garrafais e agir de má fé com o cliente que pára e abastece achando que pode pagar das formas habituais em cartão de crédito e que na hora, lançam o “preço normal” maior do que o anunciado... Já saí de dentro de lugares que não zelam pelo atendimento e já fiz muita propaganda daqueles que gostei e vejo a preocupação em dar o melhor atendimento ao cliente.

Sempre tivemos o costume de prestar atenção neste detalhe. E sempre que topamos com pessoas atenciosas e educadas que trabalham com dedicação, gostamos de elogiar. E muitas vezes fizemos isso, indo direto na pessoa para elogiarmos. Pois da mesma forma que temos o direito de reclamar, é legal elogiar, também!

Esta frase me veio algumas vezes à mente nestes dias e queria escrever sobre. Creio que seja porque é um pouco do que vim lendo no livro “O Monge e o Executivo”. Sobre servir! Sobre ser atencioso. Sobre ser bom ouvinte. Sobre ser respeitoso, dar atenção, olhar nos olhos de quem se conversa. Calar-se e ouvir, como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo naquele momento. E vejo que é exatamente esta a idéia! Quando você trata uma pessoa com respeito, atenção, se torna uma pessoa confiável! Dá credibilidade. Entusiasma quem te vê, ou ouve sobre aquilo que você defende, ou vende. Portanto, atender bem é servir bem, fazer o melhor naquilo que você se propõe a fazer.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O raio de abrangência que temos é proporcional ao tamanho de nossos sonhos postos em prática!

Trigésimo segundo dia - 18 de janeiro

De manhã, ao invés de escrever, peguei pra ler! Você havia comentado alguns posts, então, fui abrindo e respondendo. Que coisa mais gostosa!! Exatamente como você mesma falou no início de um deles, é a frase que me sai da boca também... Que coisa mais gostosa ler o que você escreve! De fato, é uma conversa que temos de longe! A boa sensação que você falou de receber o colo, e eu, por aqui, de prosear com você, como sempre fazemos quando estamos juntas!

Bem, um dos que mexeu mais comigo, foi o que você escreveu no texto “Saudade às avessas”. E você repetiu uma frase que coloco “O raio de abrangência que temos é proporcional ao tamanho de nossos sonhos postos em prática!” e vejo o quanto é real, o quanto ela revela nosso papel, nossa importância que podemos, ou não, ter na vida das pessoas!!! Questão de DECISÃO, DEDICAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO. Em outras palavras, os Três “D” que menciono quando falo de amor no texto “Luzinha do “ON”- Desenhadora de Sonhos”. Decidimos fazer a diferença. Dedicamos tempo a atitudes e ações para alguém ou uma causa. Demonstramos interesse e atenção. Coisa que qualquer um pode fazer. Se decidir-se por isso...

Ao responder pra você, cenas me vieram na cabeça! A primeira é o sonho meu da Maratona de Londrina. E vejo que a questão não era apenas sonhar, mas por em prática o sonho! Pois muitos outros já haviam sonhado isto, antes de mim, creio. Mas não acreditaram ser possível. Não levaram adiante. A grande diferença entre “apenas sonhar” e “sonhar e realizar”... E isto é suficiente para entender porque o raio de abrangência que temos ser proporcional ao tamanho dos nossos sonhos postos em prática! Porque o sonho tornado realidade pode, de fato, repercutir na vida das outras pessoas. Muitas pessoas, dependendo do se faz. Veja só: a maratona em Londrina agregou pessoas da terra que correram pela primeira vez os 21 km. E tantas outras que também estrearam nos 42km, a marca tão sonhada por corredores! Justamente por ser uma prova que aconteceu na nossa cidade. Pois se fosse em outro lugar, muitos não se atreveriam a ir, viajar, porque os obstáculos, muitas vezes, da distância, da viagem do dinheiro que dispendido para participar das provas por aí, dificultam e até impedem tantos corredores de realizarem estes desafios! Fazer acontecer uma prova aqui, semeou sonhos. E gerou uma participação que mexeu com tantas pessoas. Movimentou a cidade! Digamos, foi um tsunami que passou aqui de pessoas que despertaram para a corrida de distâncias maiores. O raio alcançado por UM SONHO foi grande...

Filha, não a hora marcada no relógio, nem data circulada no calendário para estas coisas acontecerem. A qualquer hora e em qualquer lugar, podemos determinar mudanças nas nossas vidas e na de outros! Uma palavra faz diferença. Um sorriso abre portas. Uma palavra ríspida tranca para sempre a coragem. Uma grosseria fere e faz sangrar. Uma gentileza comove. Um gesto acolhe. Um olhar faz descansar. E o principal: descobrir que todo gesto que faz bem não precisa ser só com gente conhecida. Pode ser com aquele vizinho mal humorado, com o colega de trabalho que incomoda tanto, com o porteiro do prédio, o professor arrogante, o chefe estressado, o estranho que você sempre cruza no ponto de ônibus, o caixa do banco ou do mercado, ou os anônimos que você vê em viagem e os quais nunca mais vai ver. O que você vai significar, depende do que você se decide a ser e fazer. O raio de abrangência, somos nós mesmos que desenhamos...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MAESTRIA!

Trigésimo primeiro dia – 17 de janeiro.

Tenho lido o livro “O monge e o Executivo”. Que grata surpresa! É mais uma quebra de paradigma para mim! Pois criei uma certa resistência a livros de auto-ajuda, por não apreciar o objetivo de vários autores em se manter numa linha muito mais de estrelismo do que de semear palavras que façam a diferença na vida das pessoas que as leiam! Fico um pouco receosas com livros que se tornam Best seller, pois, nem sempre a quantidade de livros vendidos é fiel à qualidade da literatura. Haja visto os programas campeões de Audiência de qualidade duvidosa,pra não dizer, descaradamente inexistente...

Bem, a questão é: Como foi um livro que foi um sucesso estrondoroso de vendas no Brasil, além de outros países, e ensinava algumas formas de liderança, fiquei com meus dois pés atrás! Pura bobagem, pois para fazer qualquer julgamento, primeiro, é preciso conhecer! No caso de um livro, obvio, eu teria de primeiro ler! E, isto, eu me recusava!

O que parece ser, então, uma firme posição de valores, passa a ser algo com outro nome: PREPOTÊNCIA! É a recusa por conhecer outras opiniões, outros pontos de vista, linhas de raciocínio desconhecidas, ir de encontro ao novo, para conhecer e depois, ainda que não se concorde com ele, respeitá-lo. Mas isto não acontecia, justamente, por eu me manter vacinada contra literaturas que não fossem aquelas que eu já compartilhava como parecidas com minha forma de ver a vida! Fica fácil assim! Você só lê quilo que diz “amém, amém, amém” pra você, e nada te contradiz, se contrapõe com você, não te cutuca, não te incomoda, não te contraria. Cômodo! Mas nada enriquecedor!

A cabecinha parece fervilhar com tantas informações novas, que se for pensar bem, nem são assim tão novas! Poderia dizer que é um RE-organização de velhas idéias que não eram percebidas e usadas da maneira correta! Interessante que cheguei a escrever coisas que, juntadas ao que li ontem, soam ser muito parecidas. E uma coisa eu tive bem clara: ao ler sobre liderança, suas características e toda a discussão que ocorre no enredo do livro, uma pessoa me vem à mente: você, Gi!

Então, penso... Você, há muito tempo atrás, leu este livro. Recomendou-o, mas eu, firme em minhas opiniões, não me interessei em ler! Diria ter me arrependido de não tê-lo feito antes, se não tivesse a convicção de AGORA ser o tempo certo para eu ler este livro! Fico impressionada em como ele usa as palavras com maestria!!! Não há outra forma de descrever... MAESTRIA! A arte de reger letras, palavras e frases, na seqüência perfeita para formarem uma sinfonia! O autor casa as palavras, num conjunto em que seu intuito de nos passar suas idéias acerca da liderança, atingem o alvo, nem além, nem aquém do tempo necessário. Usando o melhor cenário, os personagens ideais. Uma aula didática perfeita, onde os exemplos são apresentados como perfis diversos que questionam, exemplificam, perguntam , duvidam e por fim, compreendem o significado do que vieram buscar no mosteiro.

Ainda não acabei de ler! Pois assim, é uma forma prática de eu não me exceder nem só numa coisa, nem só em outra. Vou guardando um tempo para cada coisa. É certo que estou apreciando, saboreando a leitura como há tempos não fazia! E pude constatar que você, querida, é hoje, dos meus melhores modelos de liderança! Bondade, humildade, benevolência, amabilidade, leia-se amor ágape, desprendimento, e uma doação de si mesma aos outros, sem se importar em si mesma, que é raro de se ver!

Enfim, filha. Hoje, escrevo vagueando nas palavras, pois precisava muito te dizer isto. Não é à toa que as pessoas te admiram, se afeiçoam a você, são cativadas por sua amabilidade e se dispõe tanto a te ajudar, sem intenção de receber, sequer, algo em troca! Pois VOCÊ se doa aos outros. É natural que receba de volta, este carinho e atenção, também!

Bem, sabe que passar as férias em casa não está tão rum assim! Pelo contrário! Estou fazendo, exatamente, o que me propus a fazer! Comportando-me como se estivesse em Bombinhas, aberta às novas amizades, tenho conhecido nossos novos vizinhos, novas amigas no prédio onde moramos, usufruído a piscina, como nosso mar, me desapegado aos horários de comer, dormir, obrigações. Nada de mais! Nada de grandes coisas! E tenho RE-descoberto prazeres assim! Coisas poucas, coisas bobas! Mas, coisas boas de se ter e fazer! Re-conhecendo o mundinho imediatamente ao meu redor, onde meus braços podem alcançar hoje, para depois buscar outros vôos mais longe...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prefácio de Quebra de Paradigmas

Trigésimo dia!!! – 16 de janeiro

Uauuu! Viramos a dezena de novo!
Tantas coisas a contar!
Listando:
Ficamos quatro dias na Tia Any – Como é bom estar junto de família! Aconcehgante!
Voltei para aula de Dança de Salão – Fomos eu e o Marco! Tinha até esquecido que gosto tanto de dançar!
Sou (de leve!) a personal trainer do meu filho!!! Hahahhaa!! Curto muito ir com ele na academia e orientar, corrigir e sugerir exercícios!
Li (devorei!) o livro “O Monge e o Executivo” recomendado por você há tempos! Muitos ensinamentos!!! Absorvendo...
Li seu blog – imagino cada cena! Viajo junto! Estou aí com você! Eu sei que você sabe que consigo me imaginar aí! Pensa: Susi patinando no gelo??? Só risada!!! Mas também me relembraria meus tempos de... patins de rodinha...
Respondi teus comentários no blog Diário de Porto – Que delícia é ler e ver a conexão!

Bem, agora venho falar um pouquitito! Estou quebrando paradigmas! Olhe só, reciclando palavras. Foi muito interessante ler o livro (falta pouco para acabar...), pois muita coisa que li, eu havia acabado de escrever no blog, nestes últimos dias!!! Estava lendo numa tacada. Aí, resolvi desacelerar e pegar o bloquinho de anotações... Muitas coisas... A cabeça fervilha de palavrinhas querendo pular pra fora!!! Mas me propus a ler-absorver-aprender para aprender a ouvir-reter-fervilhar, para não estagnar nas mesmas idéias de sempre! Vi que é preciso remexer com o adormecido, acomodado, encaixado! Senão, empedra! Senão fica inflexível. Senão vai, depois, não querer saber de mudar! E tudo é passível de mudar!

Estou contente com algumas decisões que tomei! Menos para ser mais! Mas isto fica pra outro dia! São várias coisas que têm pipocado para eu escrever. Mas há o dia de plantar e o dia d colher! E, ultimamente, tenho sentido necessidade de absorver... Ir para o novo! Tudo me leva a ver que caminhamos para isso, ou para o vazio... Amanhã escrevo mais!

domingo, 15 de janeiro de 2012

SAUDADE ÀS AVESSAS

Vigésimo nono dia – 15 de janeiro

Querida,

O tempo é algo indecifrável! Somos divididos por números. Já percebeu? São segundos que determinam a diferença de um vencedor de um segundo colocado. Minutos determinam um acidente, a perda de um ônibus, um avião, o trem. Horas reservam segredos. Dias contam histórias. Semanas separam horários de aula, de afazeres que preenchem o resto do ano. Meses incluem decisões. Anos classificam a idade, o tempo de existência. Onde nos encaixamos nisso?
Já são vinte e nove dias aí! Seriam em torno de setenta e quatro dias, não? Penso que, mesmo com toda a saudade que você deve sentir de seu ninho, de seu lar, de seu cantinho em Maringá, de suas coisas, seu travesseiro, amigos e amigas, a voz ao vivo de sua família e de pessoas com quem costuma falar e trocar suas confidências, ao fazer a continha ao contrário, de quantos dias já se passaram e quantos dias restam para estar aí, você deva sofrer de algo que eu mesma sofra e quase ninguém entende: A SAUDADE ÀS AVESSAS. A saudade que vem vindo, crescendo das pessoas com quem está convivendo aí, do lugar em que você está hoje e do qual irá partir dentro de uns dias... Tem?

É uma sensação diferente. Quando eu viajava para fazer curso fora da cidade e via todo mundo com saudade da sua cama, de seus filhos, de sua casa, de suas panelas, eu me sentia um bicho estranho. Não que eu não sentisse saudade de minha casa, de meus filhos. De forma alguma! Mas creio que era uma mistura da certeza de voltar, de tê-los comigo, independente do local e hora em que eu estivesse com vocês. De levá-los comigo, sempre junto de mim. E a saudade das novas coisas que adquiri... Compreende? Creio que este nosso sangue “viajeiro” seja responsável por muito dessa sensação. Temos em nós a raiz, preservamos nossa ligação de família, mas conhecer pessoas novas e novos lugares pra nós é tão natural como já tê-los conhecido há tempos... Criamos laços! Apegamo-nos a estas pessoas. Infiltramos raízes pelos locais pelos quais passamos. Deixamos pegadas e seguimos. E, se pensar que são pessoas que nunca mais veremos, sentimos um vazio, a saudade que se anuncia, antes dela mesma acontecer. Sente isso?

Era algo que me incomodava. Um vazio difícil de explicar. O desejo de não se querer perder algo que havia me fascinado e que mantinha um fio comigo e que fazia doer a possibilidade de não ter mais. Coisas assim, a gente aprende com o passar do tempo, na dor e por amor, que não dependem da presença física tê-los conosco, ou não! Todos estes olhares que te miram, sorriem pra você, tentam te compreender em teu inglês, se expressam em seu polonês, têm em comum algo que extrapola a linguagem verbal das línguas provenientes da “Torre de Babel”: SONHOS! E sonhos não são aprisionados por línguas. Para se fazer compreender, quando há algo em comum os ligando, o sorriso, a micagem, as mímicas cumprem tão bem seu papel de comunicação que as palavras não são necessárias. Você já passou por cerca de novecentos jovens. Virão outros mais. Quantos alunos eu tive? Nunca parei para contar... Centenas, é certo! Possivelmente, milhares! O raio de abrangência que temos é proporcional ao tamanho de nossos sonhos postos em prática! Vês? O que nos acalma a saudade de pessoas que sabemos que não veremos mais é a certeza de carregarmos eles, um pouco, conosco e ficarmos um pouco com cada um deles! Deixamos marcas! E levamos as deles em nós! E, dentro de nós, fica registrado tudo aquilo que ultrapassa as barreiras, as fronteiras, o oceano.

Gi, creio que você já saiba tudo isso que eu estou lhe falando. Está aprendendo muita coisa por você mesma, não por palavras, por exemplos de outros. Mas atravessando, você mesma o seu céu, o seu mar, o seu caminho. Guarde todas as lembranças colhidas neste caminho! Deixe as tuas, como sei que já têm deixado! Se bater a saudade às avessas, acalme-se. A vida tem um caminho inimaginável. E só por isso, vale a pena!

Saudade! E amor sempre e pra sempre!
Saudade é amor sempre e pra sempre!